Você está preparado para vender para a geração Baby Boomer?

Os Baby Boomers são um grupo de pessoas que chamaram a atenção em todas as etapas de suas vidas. Foram os jovens que revolucionaram o mundo nos anos 60 e 70, o mercado de trabalho nos anos 80 como Yuppies e seguiram fazendo transformações importantes em todos os setores através dos anos, promovendo uma verdadeira mudança de paradigmas na sociedade.


Marcas como a Kenneth Cole criaram linhas como a Gentle Souls, focadas na anatomia humana e voltadas para o público Boomer, com sapatos que privilegiam mais espaço para os dedos, conforto extremo na palmilha e mais delicadeza no design. O segredo é diminuir a fadiga no uso, apoiando os tornozelos, joelhos e quadris. É o sapato projetado em conformidade com o pé, e não o contrário.

O que define esta geração, segundo um relatório intitulado Ageless da consultoria inglesa WGSN, é a frase: “Nós inventamos a cultura jovem; agora nós estamos reinventando o que é ser mais velho”.

A expectativa de vida aumentou e esta geração se sente mais saudável e mais otimista do que as anteriores. Deseja viver mais e melhor e anseia por novas experiências. Apesar de a população estar envelhecendo fisicamente, está rejuvenescendo psicológica e emocionalmente. Diferentemente da geração anterior, que sonhava com a aposentadoria, os Baby Boomers querem manter-se no mercado de trabalho por mais tempo e é a primeira geração a enxergar a idade como vantagem e oportunidade.

O Brasil é um País que envelhece em ritmo acelerado. Até 2050, quase 30% da população terá acima de 60 anos e a idade média de expectativa de vida deverá chegar aos 81 anos, segundo dados do IBGE. Por sua vez, o número de pessoas entre zero e 14 anos se encontra em declínio, pois nascem cada vez menos crianças.

Sempre tivemos o conceito que éramos um País jovem e que o problema do envelhecimento concentrava-se nos países europeus, norte-americanos e no Japão. Mas seremos uma população com grande parte de idosos. Sua indústria está preparada para isto? O número de habitantes deverá parar de crescer e até diminuir, passando de cerca de 219 milhões em 2039 – quando atingiria seu máximo –, para 215,2 milhões em 2050. Por outro lado, o aumento da população em idade adulta e economicamente ativa poderá representar uma grande vantagem para a economia brasileira nos próximos 30 anos.

Os Baby Boomers, atualmente nesta faixa etária, tem dinheiro. E na quebra de paradigmas própria de sua idade, consumirão muito mais que as gerações anteriores. Quem já não viu uma avó que, ao invés de fazer poupança para os netos, gasta seu salário (sim, salário, porque os Baby Boomers não querem sair do mercado de trabalho para a aposentadoria) com aplicações de Botox ou mesmo em tardes de compras com amigas? E, ao contrário do que muita gente pensa, esta geração está sempre aberta a testar novos produtos.


Charlie Engman, fotógrafo americano formado por Oxford em 2009 e que fez trabalhos para importantes revistas e marcas como Urban Outfitters, i-D, Spin e The Fader, fotografou sua mãe, Kathleen Engman, em produções cheias de estilo vestindo peças de design.

:: CONSUMIDOR IDEAL
Stephanie Pappas da agência de publicidade BBDO, de Nova York, diz que este é o consumidor ideal: tem dinheiro, consome muita mídia e é otimista. Nos Estados Unidos, segundo ela, os Baby Boomers assistem a 174 horas de TV por mês, 63% mais do que a geração Milênio (entre 18 e 34 anos). Como na maioria das vezes não têm mais dependentes, têm uma vantagem financeira grande e pagam preços altos por produtos de alta qualidade.

Ou seja, o mundo nunca viu um mercado tão poderoso como este. Mas sabe oferecer os produtos que desejam? Que eles querem ser atendidos nas lojas por vendedores dez anos mais jovens do que eles, isto já é provado. Eles gostam de se idealizar mais novos e assustam- se com vendedores da mesma idade, pois não se enxergam velhos. Ou seja, se os nascidos entre 1946 e 1964 compõem a geração chamada Baby Boomer – numa alusão à explosão de natalidade que se deu no pós-guerra –, vendedores para atendê-los devem estar na faixa dos 40 em diante, pois também não aceitam muito bem serem atendidos por pessoas jovens demais e “sem experiência”. Detestam os selfies justamente por isto: sabem que sua figura não vai corresponder ao seu sentimento interior de jovialidade.

Este grupo interessa-se, habitualmente, pelo chamado “design universal” e não gosta de linhas voltadas para ele especificamente. Não gosta de ser chamado de velho, mas não quer ser jovem, ao mesmo tempo.

Pessoas desta geração, no entanto, são muito mais interessadas em informações e fatos que os jovens praticamente ignoram, mais interessados em apelos visuais e emocionais.

E o mais importante de tudo: é imprescindível que a segmentação dos produtos e da comunicação para este público seja estabelecida. Os Baby Boomers não são um grupo homogêneo, como os idosos foram tratados até hoje. Tem de haver uma segmentação conforme classe social e educação para atingi-los. Ou seja, quem não entender que abocanhar esta fatia de consumidores é muito mais complexo do que imaginam, e não trabalhar duro para satisfazer esta nova e crítica geração de consumidores, com dinheiro, interesse em moda e estilo, vai perder um segmento crescente de mercado nas próximas décadas.

:: NOVAS TRIBOS
Nos próximos 10 anos este público vai se separar cada vez mais em novas tribos. E designers terão de repensar os códigos de vestir de todas elas. Em geral, este grupo vai buscar por qualidade e modernidade, procurando produtos de design limpo, ultrafuncional e a preços competitivos. O conforto continuará sendo prioridade máxima e tamanhos vários para vestir todos os tipos de corpos serão fundamentais. Os calçados terão de usar da tecnologia para atendê- -lo, e espera-se até uma customização digital. Palmilhas ultramacias, conforto de calçados esportivos, mas com design de acordo com as últimas tendências de moda. Sim, porque a palavra-chave para eles não é moda atemporal, mas moda “sem idade”, onde a expressão de si mesmos, a cor e a validação da juventude são elementos fundamentais.