Século XXI: Um tempo de beleza sem padrões?

A moda contribuiu para a instalação de padrões estéticos em todas as épocas. O padrão de beleza feminino nem sempre foi o culto à magreza, mas sempre impôs às mulheres sacrifícios extremos. Na segunda época do século, algumas questões começam a ser levantadas.

Retratada nas pinturas renascentistas, a mulher exibia suas curvas naturais (e seria considerada gorda pelos padrões de hoje), que começaram a ser apertadas em espartilhos na era vitoriana. Costelas chegavam até a ser quebradas, para mostrar cinturinhas com inacreditáveis 30 centímetros, colocando em evidência o busto e a curva dos quadris. Este período, que se estende até a metade do século XIX, é considerado a fase inaugural da moda, momento em que revela seus traços sociais e estéticos mais característicos: a renovação das formas, o prazer em ornamentar-se e mostrar-se à sociedade e a diferenciação social, acima de tudo.

:: ANOS 50 E 60
No início do século XX é que a silhueta solta dos vestidos “melindrosa” começou a libertar um pouco a mulher da ditadura dos corpos drasticamente apertados. Contudo, as cintas elásticas apareceram para manter o abdome liso e plano. 

Só na fase de ouro de Hollywood as formas femininas começaram a ser admiradas por sua beleza natural novamente, sem amarras. E as divas do cinema passaram a ser os ícones no período. Marilyn Monroe era o modelo de beleza feminina. E os concursos de beleza, popularizados a partir dos anos 50, mostravam os corpos libertos e que foram sendo mais e mais admirados e comentados por suas curvas e características nos anos seguintes.

Mas as curvas tiveram seus dias contados com o surgimento, nos anos 60, de uma garota magrela e de olhos grandes, chamada Twiggy. Seu corpo esguio, fora dos padrões de beleza, ia de encontro aos corpos das mulheres maduras admiradas até então. Twiggy era a imagem da juventude e representava o movimento jovem, que pela primeira vez tinha voz na sociedade, promovendo uma verdadeira revolução cultural. Esta foi a primeira vez que as mulheres mais velhas passaram a ter vontade de ter a aparência mais jovem. 

E este padrão de beleza, considerando as mulheres magras como as mais interessantes esteticamente, foi incentivado pela indústria da moda – já que vestir uma mulher assim é muito mais fácil para os estilistas – e permanece até hoje.

:: ANOS 90 E 2000
Com a silhueta cada vez mais revelada pela minissaia, nos anos 80 surgem nas passarelas aquelas que procuravam unir o glamour do cinema com os corpos magros das modelos: as chamadas supermodelos. Linda Evangelista e Claudia Schiffer, entre outras mais, inauguraram os cachês milionários no mundo da moda e tornaram-se o sonho das mulheres tanto pelos corpos esculturais, como pelo sucesso.

Passaram a ser os novos ícones e nos anos 80 e 90, a moda era ter o corpo bem definido, magro e atlético como os delas. 

Na década de 90, algumas modelos como Kate Moss, ainda mantendo o conceito de magreza, reformularam o conceito do sex appeal, mostrando um aspecto andrógino e uma beleza um pouco indefinida, acentuada por olhos negros que aumentavam ainda mais o aspecto de magreza, chamado de tendência “heroína chic”.

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