UMA NOVA LINGUAGEM DAS MARCAS

Em resposta à crise mundial e à globalização, ao longo destes últimos anos tem surgido um comportamento que mostra uma forte resistência individual. As pessoas querem assumir o controle de suas vidas e sair do ciclo vicioso de austeridade, indo, muitas vezes, para além de seus limites

O consumidor está cansado de ver as mesmas marcas em todo o mundo, não importa se estão em São Paulo, Nova Iorque, ou Tóquio. Estas brands adotaram códigos de conduta que há muito não surpreendem mais. A ideia agora é quebrar regras e derrubar símbolos do sistema, para tentar liberar a pressão. Uma maneira de promover mudanças tem sido encontrar caminhos para sair do ciclo vicioso, identificando soluções alternativas e reinventando as regras que, ao que parece, serão as normas do amanhã.

Essas táticas podem ser ilustradas, por exemplo, pelo crescente uso do absurdo, da ironia, do cinismo e da extravagância. São as novas armas de subversão, as novas formas de expressão e de criação, mas também são comportamentos que atuam como uma catarse libertadora.

E esta busca por liberação aparece em todas as camadas da sociedade, acelerada pelo poder da mídia social que acolhe positivamente esta noção de ruptura.

Na moda, as marcas adotaram o fenômeno, buscando ganhar a simpatia do público. Moschino e Chanel já haviam adotado esta linguagem na temporada outono-inverno 2014/15 e Moschino repetiu a dose para o verão 2015 e na pré-coleção para o inverno 2015/16, procurando, dentro da linguagem da moda comercial, expressar visões críticas da sociedade de consumo e do luxo, em uma nova abordagem estética que busca criar polêmica. Pode ser até um “falem mal, mas falem de mim”.

essoas querem assumir o controle de suas vidas e sair do ciclo vicioso de austeridade, indo, muitas vezes, para além de seus limites.

O tom da publicidade também vem questionando o sistema para ganhar a aprovação de determinados públicos, valorizando a liberdade e o inconformismo. 


A clássica e tradicional Fendi trouxe monstrinhos para sua pré-coleção para o Inverno 16, numa irreverencia impensavel para a marca anteriormente

As marcas que experimentarem novos caminhos, jogando uma lufada de ar fresco em suas coleções e na comunicação, com certeza, sairão na frente, afinal este será um poderoso instrumento de inovação, já que o Brasil ainda se espelha muito em campanhas e coleções de marcas estrangeiras, e a Europa e os Estados Unidos já estão reinventando os códigos de mercado, num desapego aos padrões estabelecidos por décadas. A ideia é trazer a surpresa, principalmente para o setor de luxo, cujo consumidor está mais informado do que nunca, além de estar à procura de serviços incomuns.

Na sociedade já se vê os reflexos deste comportamento e das táticas adotadas pelas marcas para incentivar as pessoas a liberar impulsos e exibir comportamentos desinibidos. 


A publicidade da Max Mara, que sai completamente fora de seus padrões habituais, intriga pelo mix exagerado de estampas, pela ausencia do rosto da modelo ou de qualquer parte de seu corpo

Há um inédito fascínio para postar nas redes sociais memes irônicos e até agressivos, assim como fotos de comportamentos violentos e que mostram singularidade, controvérsia e ambiguidade. As pessoas são incentivadas a expressar medos, revolta, desejos e atitudes cuja expressão torna-se forma de resistência. Nos Estados Unidos, festas de divórcio são cada vez mais populares e viraram um grande negócio para o setor de eventos. Representam uma maneira bastante sutil para combater a desolação da vida cotidiana e, ao mesmo tempo, uma forma de criticar aqueles que se alimentam de temores de um mundo em crise.