A NOVA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL


A união de várias partes de impressões permite movimento nas junções, como nesta peça chamada de Kinematics, da empresa Nervous System, depois de criar cases de telefones para a Motorola.

A prioridade do consumidor no século 21 é a redefinição dos sistemas de consumo e das formas de trabalho. Cada vez mais, os clientes esperam conseguir o que querem, quando querem, com base em suas opiniões formadas a respeito das marcas e do varejo. Os consumidores acompanham as empresas para se conectarem com elas em todas as suas manifestações, e a compreensão de que as realidades virtuais são tão reais quanto os tradicionais pontos de contato talvez seja a questão fundamental a ser assimilada pelos fabricantes neste século.

A forma de adquirir produtos está mudando e, cada vez mais, a aquisição se desenvolve não a partir da compra. Ou seja, as indústrias deverão estar conscientes de que seu papel na equação do consumo está em mutação.

Ao invés de usuários finais passivos, os consumidores estão se tornando fabricantes e o “faça você mesmo” é uma linha em franco desenvolvimento e que não tem mais volta. Além disso, os consumidores estão desafiando as noções aceitas de obsolescência programada e a cadeia de produção tradicional.


Acessórios para cadarços são facilmente imprimíveis em 3D e podem se tornar uma ferramenta eficiente numa campanha de difução da marca, por estampar o logo.

Além de o espaço virtual permitir que as pessoas compartilhem bens duráveis com seus amigos pelo nível de confiança, as empresas vão ter de encontrar seu caminho para oferecer cada vez mais credibilidade ao consumidor e proporcionar a ele meios de interagir com as marcas, participando do processo produtivo.

A nova estratégia de envolvimento do cliente deve ser menos como uma campanha de marketing e vendas e mais como uma amizade a ser desenvolvida com base nas necessidades interdependentes e respeito mútuo.

Para entender o comportamento dos consumidores em 2014 é preciso analisar a grande transformação em seus anseios, necessidades e estilos de vida, que vem se dando velozmente nos últimos anos.

IMPRESSÕES EM 3D

Os investidores estão apostando que as impressoras 3D domésticas vão se tornar tão populares quanto as impressoras a jato de tinta ou laser de hoje em dia, e a criação de uma cultura de fabricantes, ao invés de consumidores compradores, está se instalando a passos largos.

Segundo pesquisas, num primeiro momento, laboratórios serão criados para impressões, visando diluir o custo dos equipamentos, que ainda são um obstáculo para o público em geral, uma vez que hoje são acessíveis apenas para empresas ou entidades especializadas. Contudo, quando chegarem ao grande público, as impressoras 3D revolucionarão a nossa forma de consumo. Deixaremos de ser consumidores passivos para nos tornarmos produtores.

As impressoras 3D são máquinas compactas, que poderão criar versões tridimensionais, de plástico, de objetos como bolsas, calçados e acessórios, como bijuterias, capinhas de celular etc.


Pulseiras em 3D são artigos de fácil impressão e ótimo item para ser oferecido gratuitamente para clientes de marcas que podem inovar, lançando pequenos objetos para seus consumidores fiéis.

A MakerBot é a empresa pioneira e líder no mercado da impressão 3D. Já vendeu mais de 25 mil destes equipamentos desde que foi fundada, em 2009, e o negócio está avaliado em US$ 403 milhões. O site thingiverse.com reúne pessoas interessadas em compartilhar seus modelos 3D, permite fazer download e upload de modelos gratuitamente.

No Brasil, empresas como a Garagem FabLab, uma espécie de oficina com máquinas de corte a laser, fresadoras de madeira e impressoras 3D, foi aberta, recentemente, no Centro de São Paulo e, paralelamente a suas atividades comerciais, tem projetos para ensinar interessados a mexer no maquinário e nos software de desenho 3D. A ideia já deu espaço para a formação dos “hackerspaces”, espaços comunitários gratuitos para interessados em tecnologia trocarem informações e realizarem projetos como o Garoa, também em São Paulo.


Bolsas também são opção para impressão em 3D.

O conceito de FabLab (abreviação em inglês para laboratório de fabricação) nasceu no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e foi o responsável pela criação de cerca de 200 laboratórios deste tipo pelo mundo. O objetivo é massificar o uso da fabricação digital e estimular a inovação. O FabLab pioneiro no Brasil foi instalado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

Sendo assim, um novo compasso econômico mundial está sendo criado com o uso de tecnologias livres e baratas: o surgimento de uma economia colaborativa, com consumidores emergindo como autossuficientes e com uma confiança cada vez maior sobre seu lugar no mundo. E uma nova mentalidade precisa se desenvolver em um ritmo muito rápido nas empresas para poder acompanhar esta nova realidade. Uma nova revolução industrial precisa ser pensada com urgência.


Os sapatos do designer Janne Kyttanen, encontrados para download no site Cubify, fazem parte do acervo do MAM de NY e podem ser impressos numa noite.