Os wearables e o FUTURO da COMUNICAÇÃO


PRODUTOS TECNOLÓGICOS VESTÍVEIS farão parte da estratégia de relacionamento entre marcas, serviços e consumidores

A tecnologia sempre teve um papel importante dentro da indústria do varejo da moda, começando pela descoberta de novos tecidos e materiais e indo até o intercâmbio eletrônico de dados e tecnologia just-in-time para a reposição de produtos. Softwares permitem maior flexibilidade na experimentação, sem cortar tecidos ou gastar muito dinheiro em uma amostra de produto. A impressora 3D está se tornando cada vez mais acessível e o comércio eletrônico está em pleno desenvolvimento. Inovações em tecidos e materiais são relevantes há muito tempo, pois a moda está sempre buscando fazer algo que se adapte melhor ao estilo de vida da época. Isso deve seguir sendo pesquisado, pois os avanços podem ser impressionantes. Como exemplo, temos a invenção do nylon, na primeira metade do século 20, que permitiu que a Dupont desenvolvesse a lycra, em 1958, material usado em meias-calças. Este avanço abriu caminho para a revolução da minissaia, na década de 1960.

As primeiras revoluções industriais aproveitaram a água, o vapor e a energia elétrica para mecanizar a confecção de vestuário, desafiando o sistema tradicional de produção artesanal. Em meados do século 20, uma terceira revolução industrial – relativa à introdução da tecnologia da informação e análise de dados – mudou radicalmente o negócio da moda, forçando a indústria a repensar o seu sistema face à era das redes sociais.


Na Thesis Couture, tecnologia une conforto de um esportivo com o design mais arrojado

Há alguns séculos, o feito à mão foi elevado ao mesmo status das Artes e Ciências, e está associado ao luxo. Já a tecnologia está atrelada ao progresso, ao futuro, à desumanização. Porém, isto está mudando. Ao mesmo tempo, a cultura maker, o fazer com as mãos, é uma extensão do Faça-Você-Mesmo – Do-It-Yourself – e está ganhando cada vez mais força. Este movimento defende que qualquer pessoa pode fabricar, consertar e alterar objetos e projetos com suas próprias mãos.


Exposição no MET de Nova York explora como os designers conciliam o feito à mão e o feito a máquina na criação da alta-costura e ready-to-wear

QUARTA REVOLUÇÃO 

A quarta revolução industrial já começou e é alavancada por inovações físicas, digitais e biológicas, como a impressão 3D, inteligência artificial, Internet das Coisas e avanços significativos nos biomateriais. Ela está impulsionando uma nova mudança na economia, que terá grandes implicações na indústria da moda. Hoje em dia, os wearables – tradução literal: usável ou vestível –, produtos tecnológicos vestíveis, em sua maioria são representados por relógios, como o Apple Watch, e em peças esportivas que monitoram a saúde/atividade física dos usuários. Mas isso é apenas o começo. No futuro, roupas e acessórios poderão adaptar-se a mudanças de temperatura, trocar de cor e textura ou armazenar energia como uma bateria.

E você pode estar se perguntando o que isto tem a ver com comunicação? 

Estas novas interfaces e ferramentas de interação mudarão a forma como nos comunicamos entre nós e entre objetos, introduzindo novas formas de indivíduos se relacionarem com tecnologia. Haverá uma reconfiguração social, cognitiva e sensorial, que influenciará os processos de comunicação e consumo, e este contexto permitirá que empresas consolidem vínculos por meio de novas linhas de produtos com várias funcionalidades. Em outras palavras, os wearables farão parte da estratégia de relacionamento entre marcas, serviços e consumidores. Concluindo, tudo leva a crer que as agências de comunicação do futuro desenvolverão sistemas e produtos, além da estratégia. Em qual século a sua marca vai apostar?