O efeito ZAPPING nas redes SOCIAIS

Desde que as principais redes sociais disponibilizaram o formato Stories em suas plataformas, o fenômeno do zapping ressurgiu com força total. O smartphone tornou-se a nova televisão e a ponta dos dedos o novo controle remoto. São novas apropriações de velhas práticas. Se antes sentávamos em frente à TV para zapear os canais, agora circulamos pelas ruas conectados nas nossas redes sociais preferidas em busca das stories mais atraentes.

A febre das stories teve origem com o Snapchat, mas chegou ao mainstream em 2016 por meio do Instagram. Em 2017, foi a vez do “WhatsApp Status” e do “Facebook Messenger Day” disponibilizarem o formato “histórias” para suas bases de usuários. Essa movimentação do mercado sinaliza uma migração da televisão para o mobile, e deixa ainda mais marcante a efemeridade que caracteriza o mundo hipermoderno.

O prazer sensorial desponta em detrimento da reflexão, e o ato de zapear torna possível a troca de canais quando o objeto de atenção já não é mais gratificante. As stories oportunizam o acesso aos mais diferentes universos particulares e atendem à necessidade de interatividade das novas audiências. Já não é mais preciso acompanhar todos os capítulos de um programa, é possível deter-se aos fragmentos que compõem o mosaico do cotidiano. O Big Brother não é mais fabricado somente na TV pelas grandes emissoras televisivas, mas também produzido por usuários que diariamente criam suas próprias narrativas, alterando a dinâmica de consumo de vídeos e imagens.

Na sociedade do efêmero, quase tudo é descartável, assim como o prazo de validade das stories: em 24 horas, aquilo que era “sólido se desmancha no ar”. Para Lipotvetsky, autor da Sociedade do Efêmero, é a cultura do “tudo já”; para os millennials é a intensidade e a fluidez de uma vida expressa pela sigla YOLO (you only live once -> você só vive uma vez).

Como as marcas estão fazendo uso da ferramenta “Stories”

1 | Louis Vuitton
Para potencializar a divulgação da coleção primavera-verão 2017, a marca apostou em uma abordagem de duas pontas para a campanha: anúncios produzidos para o tradicional formato horizontal, e vídeos filmados inteiramente no formato vertical para utilização nas Stories.

2 | ASOS
A ASOS tem trabalhado anúncios nas Stories como parte de uma campanha de reconhecimento de marca entre os millennials. A marca criou um brilhante editorial que se parece com um tradicional spot de TV.

3 | Sophia Webster
A marca de calçados utiliza as Stories para mostrar os bastidores da sua sede em Londres. Os dias da semana são temáticos. Na terça-feira por exemplo, é dia de mostras os produtos favoritos de uma forma divertida.

4 | Selfridges
A loja de departamentos permite que marcas menores publiquem diretamente em suas Stories do Instagram. Uma história recente, por exemplo, mostrou a equipe da Study NY em seu estúdio com os tecidos ecoconscientes e sua participação na Première Vision.