MACRO TREND “SMART EVERYTHING”

A Internet das Coisas e os calçados inteligentes

Na prática do cool hunting, estamos sempre em busca da “next big thing”, ou seja, do novo conceito, serviço ou produto que irá despontar no ambiente futuro, a fim de que questões como estas possam auxiliar empresas e profissionais no direcionamento de estratégias e cenários. Assim, uma das macrotendências que promete se desenvolver e transformar a competição nos próximos anos chama-se “Smart Everything”, em que a ‘Internet das Coisas’ (IoT, na sigla em inglês) emerge como uma das inovações mais surpreendentes, ao gerar novas conexões, novas oportunidades e novos comportamentos. Trata-se de um contexto tecnológico vanguardista, da perspectiva de um mundo em que os objetos (ou as coisas) serão inteligentes e conectados, possibilitando a comunicação entre si.

Segundo a empresa de pesquisa Gartner, até 2020, haverá 26 bilhões de objetos conectados, mais de três vezes o número de smartphones, tablets e PCs. A ‘Internet das Coisas’ consiste na interligação dos objetos à Internet, de forma a emitir e receber diferentes informações, que resultam na geração de uma imensa quantidade de dados.

Trata-se de uma simbiose entre o mundo físico e o mundo digital, formando um cenário rico em novas maneiras de tomar decisões e novas oportunidades provenientes do conhecimento aprimorado dos hábitos dos consumidores. Isso possibilitará novos produtos e serviços alinhados às necessidades e desejos dos indivíduos. Uma verdadeira transformação nas estratégias de marketing e tecnologia da informação, ao proporcionar um ambiente integrado e com informações em tempo real. Todo esse conjunto de dados poderá ser combinado e sobreposto, a fim de detectar padrões que poderão resultar em insights acionáveis.

Novas reflexões já começam a despontar no intuito de redefinir o conceito de ‘Internet das Coisas’, evoluindo para a ideia de ‘Rede Social das Coisas’. Os adeptos a esta cor rente de pensamento defendem que uma mudança consistente se dará quando os produtos não estiverem apenas conectados à Internet, mas interligados socialmente. Pregam, ainda, a necessidade de pensar sobre a “vida social dos produtos”, um contexto no qual diferentes dispositivos sejam concebidos e, juntos, colaborem em torno de um propósito em comum. Logo, o conceito de ‘Rede Social das Coisas’ está diretamente relacionado à ‘Economia da Colaboração’, pois incentiva inovadores na criação coletiva de seus produtos, redes sociais e base de usuários. Colaborar em rede por meio dos dispositivos já existentes pode ser uma estratégia interessante para uma marca conceber seu produto social e fomentar o relacionamento digital.

A Nike está apostando num futuro em que calçados conectados aprenderão entre si, por meio de uma rede coletiva. Essa ideia, concebida a partir do conceito ‘social’, busca alavancar o poder do aprendizado em comunidade. Logo, ao partilhar a mesma rede oferecida pela Nike, os usuários poderão ter acesso às informações de outros clientes da marca e competir uns com os outros em percursos de corrida, por exemplo.

Isso posiciona a Nike diante de um novo modelo de negócios: o de serviço ‘fitness socialmente conectado’. Um cenário no qual as pessoas passarão a pensar no calçado além da sua função, mas como um provedor de serviços inovadores oferecidos pela marca. As oportunidades de negócios para calçados conectados à Internet já estão surgindo através de aplicativos e chips que podem ser incorporados, originando uma grande soma de dados. As informações sobre os consumidores, depois de coletadas e transformadas em conhecimento, permitem a identificação de caminhos que podem resultar numa maior interatividade junto ao cliente, na criação de produtos inovadores e na geração de valor para marca. Confira alguns exemplos legais dessa novidade:

:: DOROTHY
Um dispositivo que conecta o calçado ao celular. Basta ajustar o “ruby” (um chip acoplado) no calçado, conectar o aplicativo ‘Dorothy iPhone App’, selecionar a opção desejada e bater os calcanhares três vezes para efetuar ligações, enviar mensagens de texto e muito mais.

:: VERISTRIDE
Aqui, a ideia consiste em sensores acoplados aos calçados, ou seja, uma tecnologia que permite a medição e feedback sobre a forma como cada pessoa caminha. Inicialmente desenvolvido para auxiliar indivíduos que utilizam próteses mecânicas e para idosos que possam estar em iminente risco de queda.

:: ADIDAS
A marca lançou um aplicativo que se apropria do fervor de colecionadores em busca de edições limitadas, engajando fãs da marca em uma plataforma mobile. Ao aderir ao app, o usuário tem acesso privilegiado aos lançamentos de tênis mais aguardados, sendo avisado pelas notificações de push. O app permite que os calçados sejam reservados pelo telefone e a compra seja efetuada junto a um revendedor local especificado.