A Era Selfie: o fenômeno de EXPRESSÃO e reforço da IDENTIDADE

A selfie está na vanguarda da cultura pop, é referenciada em músicas, na TV e usada por celebridades. Em 2013, virou verbete no dicionário inglês Oxford. Em 2014, fez parte de um momento épico, registrado durante a 86ª cerimônia do Oscar, quando Ellen De- Generes protagonizou o enquadramento fotográfico efêmero e ‘espontâneo’ mais compartilhado da história. Não há como negar. A selfie tornou-se um fenômeno digital que tem revolucionado a maneira como as pessoas se enxergam online e offline. Conforme o dicionário Oxford, selfie refere-se “a photograph that one has taken of oneself, typically one taken with a smartphone or webcam and uploaded to a social media website” (uma fotografia que a pessoa tira dela mesma, normalmente com um smartphone ou webcam e compartilhada numa rede social online, em tradução livre). Ou seja, a revolução digital mudou a forma de olhar e ser olhado; o indivíduo que fotografa se funde ao objeto fotografado. E as câmeras digitais, por sua vez, possibilitaram essas novas formas de expressão do “eu” nas redes sociais.

As selfies compõem quase um terço de todos os cliques realizados pelos jovens entre 18 e 24 anos. Isso significa que estamos falando da emancipação do olhar humano, de uma nova leitura do mundo, na qual a imagem precede o texto. Enquanto os anos 1980 e 1990 foram essencialmente textuais (recursos de e-mails, bate-papos, mensagens instantâneas), os anos 2000 caracterizam-se por serem essencialmente visuais, tendo as redes sociais como marco. O Instagram, por exemplo, apresenta- -se como uma plataforma na qual somente circulam imagens, funcionando como uma espécie de resistência, ao barrar aquelas perfeitas e estrategicamente fabricadas que são publicadas nos mais diversos meios todos os dias. Em vez de se deixar bombardear pelos apelos de um mundo perfeito que só contribuem para o descontentamento e frustrações, os indivíduos podem acessar o feed do Instagram e se conectar com pessoas reais.

Mas qual o comportamento por trás dessa superexposição? De uma forma geral, trata-se do processo de autoconstrução dos indivíduos – o desejo de construir a si mesmo, publicamente – por meio da imagem. Ou seja, uma forma de autoexpressão que busca preencher a lacuna existente entre dois dos principais questionamentos individuais: “quem sou eu” e “quem eu gostaria de ser”. A selfie faz parte de um meio visual, através da qual as pessoas acreditam poder controlar aquilo ao que estão expostas e como se expõem aos outros, posicionando-se no borrão das linhas entre a realidade e a fantasia.

E como as marcas estão se utilizando desse fenômeno comportamental e transformando-o em uma ferramenta de marketing? Levando em conta que os consumidores estão cada vez mai céticos em relação à publicidade, as marcas começam a se utilizar de selfies em campanhas como uma ferramenta de recomendação peer-to-peer, visto que os indivíduos confiam mais nas recomendações dos amigos. Dessa forma, o marketing apropria-se da selfie, criando campanhas com autorretratos dos clientes e também compartilhando com eles o poder de exercer seu “eu”. Em resumo, essa estratégia permite uma maior interação com o consumidor, ao mesmo tempo que incentiva sutilmente o compartilhamento social, de forma orgânica.

:: Calvin Klein, #mycalvins
Recentemente, a Calvin Klein se utilizou dos fenômenos das selfies para promover sua campanha de mídia social, intitulada #mycalvins. A marca recrutou cem influenciadores (celebridades e pessoas comuns) para tirarem fotos de si mesmos com suas roupas íntimas, postá-las no Instagram e marcar com a hashtag ‘my calvins’. O resultado foi uma enorme quantidade de engajamentos da marca e publicidade gratuita.

:: Karl Lagerfeld, Londres
Os provadores da flagship de Karl Lagerfeld em Londres têm iPads instalados e habilitados com um aplicativo que oferece variados filtros, numa tentativa de incentivar selfies com a marca da loja. A ideia é que o cliente consiga tirar fotos do que está provando e postar em suas redes sociais, ou ainda, enviar aos amigos solicitando opinião e ajuda na decisão de compra.



:: Bolsa Adele, Fendi
Aproveitando-se do fenômeno das selfies, que ganha contornos narcisistas, a Fendi lançou a bolsa Adele (nome em homenagem à fundadora da marca), que oferece a possibilidade de gravar seu próprio nome no acessório.

:: Cara Delevingne
Case no mundo da Moda, por suas caras e bocas no Instagram. Mas qual o comportamento por trás dessa superexposição? De uma forma geral, trata-se do processo de autoconstrução dos indivíduos – o desejo de construir a si mesmo, publicamente – por meio da imagem. Ou seja, uma forma de autoexpressão que busca preencher a lacuna existente entre dois dos principais questionamentos individuais: “quem sou eu” e “quem eu gostaria de ser”. A selfie faz parte de um meio visual, através da qual as pessoas acreditam poder controlar aquilo ao que estão expostas e como se expõem aos outros, posicionando-se no borrão das linhas entre a realidade e a fantasia. E como as marcas estão se utilizando desse fenômeno comportamental e transformando-o em uma ferramenta de marketing? Levando em conta que os consumidores estão cada vez mai céticos em relação à publicidade, as marcas começam a se utilizar de selfies em campanhas como uma ferramenta de recomendação peer-to-peer, visto que os indivíduos confiam mais nas recomendações dos amigos. Dessa forma, o marketing apropria-se da selfie, criando campanhas com autorretratos dos clientes e também compartilhando com eles o poder de exercer seu “eu”. Em resumo, essa estratégia permite uma maior interação com o consumidor, ao mesmo tempo que incentiva sutilmente o compartilhamento social, de forma orgânica.