Para um futuro mais sustentável

Começo esse artigo com uma citação de Walter Longo – mentor de Estratégia e Inovação do Grupo Newcomm –, que me levou à reflexão sobre o futuro da indústria calçadista, mais precisamente ao design de calçados: “Na era Pós-Digital não deve haver projeto de mudança, e sim um estado permanente de evolução.” Ou seja, estamos diante de um novo mindset, que exige repensar o modo como projetamos calçados, fazendo uso das novas tecnologias e recursos disponíveis.

O conceito de evolução consiste numa série de movimentos desenvolvidos contínua e regularmente, completando um ciclo harmonioso, que caracteriza o processo da busca de alternativas e novos pontos de vista, possibilitando o lançamento das bases de pesquisa e inovação. Uma atitude que vai ao encontro do pensamento contemporâneo da moda sustentável, no qual a premissa consiste na reciclagem e reutilização. Cenário este que se abre para o método da Economia Circular, no qual a preocupação com desenvolvimento sustentável resulta no aumento da eficiência na criação de produtos e no aproveitamento de resíduos sólidos. Uma resposta ao Zeitgeist atual e um incentivo para que o mercado da moda repense as questões globais, dizendo não ao modelo econômico do “pegue, faça e descarte”, que já está atingindo seu limite.

Diferentemente da Economia Linear predominante, a Economia Circular permeia o crescimento do “Cradle to Cradle” (do berço
ao berço), oposto ao “Cradle to Grave” (do berço à cova), focado na criação de um sistema produtivo circular, ou seja, uma logística reversa que recupera os materiais ao invés de tratá-los como resíduos (renovados como insumos e integrados a ciclos contínuos). E, nesse processo, o design é o integrante da cadeia calçadista que, através de seu processo criativo, torna possível empregar novo significado e apelo ao que é considerado lixo, desenvolvendo produtos pautados no desperdício zero. Marcas pioneiras já estão atentas e repensando o design de calçados pautado no método da Economia Circular, trilhando novos caminhos e influenciando novas direções.

 

ADIDAS Novo player da Economia Circular, a marca esportiva lançou o projeto Sport Infinity, focado na criação de materiais recicláveis, de forma a proteger o meio ambiente. Os primeiros calçados resultantes dessa iniciativa foram produzidos com garrafas plásticas recicláveis e redes de pesca. Ao chegar ao fim de sua vida, o produto é triturado e reutilizado como insumo para novos desenvolvimentos. O projeto contempla, ainda, o foco em abordagens inovadoras para produtos acabados e processos industriais.

INSECTA SHOES Marca direcionada à produção de calçados de forma sustentável e vegana (sem o uso de matéria-prima de origem
animal), através do aproveitamento de materiais que seriam destinados ao lixo. Além disso, a fabricante planeja a utilização de borrachas recicladas na sola dos calçados, bem como o uso de tecidos ecológicos (fibras de garrafa PET e fibras de algodão moído) nas confecções.

BROTHERS VELLIES Voltada à preservação do artesanato tradicional de calçados na África do Sul, busca manter o espírito
de durabilidade cultivado pelos ancestrais africanos. Todas as peças da marca seguem o padrão “slow fashion” e do design sustentável, que valoriza o trabalho manual dos residentes da África do Sul, Quênia e Namíbia.