Arlindo Grund

Quando o assunto é dar aquela repaginada geral no visual, ele é especialista. À frente do programa Esquadrão da Moda, no SBT, juntamente com Isabella Fiorentino, Arlindo Grund se tornou um verdadeiro ícone de estilo. O programa é uma versão brasileira de What Not to Wear (O que não usar, em tradução livre), dos canais Discovery Home & Health e BBC, e tem como principal assunto o “duvidoso” estilo das participantes. Para o verão 2015, o consultor aposta nos tênis coloridos, nos sapatos de salto finíssimo e também nos supergrossos. No quesito look masculino, vê avanços na variedade de cores, solados e estilos de calçados. “A criatividade está saindo das roupas e entrando no espaço do sapato, com um resultado muito bacana”, elogia.
Em entrevista à revista Lançamentos, Grund fala sobre moda, estilo e bom-senso – ou a falta dele! “Falta bom-senso para as pessoas, na moda e na vida!”, dispara. O pernambucano é o responsável pelos editoriais e as capas de diversas revistas. Assina, ainda, os figurinos de campanhas publicitárias clicadas pelo top fotógrafo J.R Duran. O apresentador, que se mudou para São Paulo/SP em 2003, ministra aulas de pós-graduacão em Styling na Faculdade Senac PE e cursos
livres de produção de moda no IED (Istituto Europeo di Design).

Quando você começou a trabalhar com moda?
Nem eu sei como comecei! Desde pequeno me via no guarda-roupa da minha mãe e avó e sempre gostei das possibilidades que a roupa pode oferecer. Uma vez meu pai chegou em casa com uma sacola de roupas pra mim e para o meu irmão. Eu comecei a chorar e ele não entendia porque eu chorava. Mas era porque eu queria ter ido na loja comprar! Sempre gostei de comprar roupas. Com 12 anos ganhei meu cartão de crédito e gastava tudo em roupas, claro. Depois também com livros e revistas. Mais tarde, na minha formação acadêmica, sempre trouxe a moda para os meus trabalhos. Ela sempre esteve presente na minha vida.

E como você entrou no fashion business? 
Eu tinha um escritório em Recife/PE, atendia lojas e fazia trabalhos com produção de moda, como campanhas e editoriais de moda. Até que vim para São Paulo, trabalhar com meu sócio Fábio Paiva. Fiz trabalhos para diversas revistas, como Estilo, Marie Claire, Playboy, entre outras. Em 2008, fui chamado para fazer o Esquadrão da Moda, no SBT. Foi tudo muito rápido. Viajo o Brasil todo ministrando palestras, para levar moda para quem não compra moda. Muitas pessoas não têm acesso à informação, as revistas são caras.

Como é trabalhar no Esquadrão da Moda e participar da transformação das participantes?
É muito gratificante ver a reação das pessoas. 99,99% saem felizes do programa. A roupa é
um reflexo do que acontece dentro de você e às vezes isso se reflete de maneira errada. Então, a mensagem que a gente quer passar é que pode consertar por fora e por dentro também. Conversamos
muito com as participantes do programa, porque não é só a roupa, é todo o conjunto. Você acha que, em geral, as pessoas têm dificuldades em se vestir bem? Há pessoas bem esclarecidas e conscientes. Hoje, com a internet, é mais fácil montar o seu look. Mas tem, sim, muita gente ainda que não consegue fazer isso sozinha. Falta bom-senso para as pessoas, na moda e na vida!

  

Você percebe resistência dos homens em relação à moda? Ou isso vem mudando?

Os homens brasileiros são muito caretas! Porém, atualmente, eles estão abrindo um pouco mais a cabeça, entendendo que vestir uma camiseta rosa não vai ferir a sua masculinidade. O homem brasileiro, quando usa uma camiseta cor- -de-rosa, por exemplo, é porque a esposa pediu, e usa com raiva. Mas eles estão vendo que podem sair do cinza e do preto, estão se libertando de preconceitos e paradigmas. Claro, deve- -se sempre avaliar o estilo de cada um. Mas fico feliz porque recentemente visitei uma loja e encontrei uma gama extensa de camisetas masculinas divertidas.

Em relação a calçados, o que você considera importante?
Tanto para homens, quanto para mulheres, vejo que as empresas estão dando mais destaque para o solado. Às vezes o calçado tem uma cara tradicional, mas o solado é azul, ou tem um cadarço diferente, alguma textura. A criatividade está saindo das roupas e entrando no espaço do sapato, com um resultado muito bacana. São exemplos os tênis, que estão super na moda, com cores diferenciadas. Claro que a pessoa precisa segurar a onda do look. 

Quais serão as tendências mais marcantes do verão 2015?
Para as mulheres, o salto grosso, que veio com tudo, e os finíssimos também, são os dois extremos. É a democracia, pode-se ir do tênis ao salto. Hoje em dia está mais fácil se vestir, temos muita informação, é possível saber o que combina com as suas roupas.

Qual sua avaliação do cenário fashion nacional?
Fico feliz por ver que estamos criando uma identidade própria. Claro que buscamos inspirações lá fora, afinal, todos bebem das mesmas fontes. Mas na época da Copa, vimos a quantidade de empresas calçadistas que investiu nas cores verde e amarela, na ousadia dos estilistas em texturas, couros amassados, detonados. A modernidade está presente nos calçados! É importante também entender que somos referência lá fora. Temos que olhar para dentro do Brasil e entender que temos produtos de qualidade. Os empresários também precisam entender que não podem levar os melhores produtos para fora e deixar aqui os de menor qualidade. Com a internet, isso não é mais possível. É preciso que estes produtos estejam aqui para que o público valorize a moda nacional. Não precisa fazer sucesso lá fora para, daí, ser valorizado aqui.