Constanza Pascolato

Aos 75 anos, Costanza Pascolato é fonte inesgotável de conhecimento, elegância e inspiração. Poderia estar em casa, curtindo a família, viajando o mundo sem qualquer compromisso com a moda. Mas ela não para. Em 2014, junto da amiga de cinco décadas, a artista plástica Marilu Beer, lançou-se no Youtube com um “SofaChatShow”, atualmente exibido pelo canal por assinatura Discovery Home&Health. Sentadas em sofás que ora estão em estúdios, ora em algum cenário bucólico internacional, a dupla que dá nome ao programa – Costanza&Marilu – é um barato! O papo informal rende reflexões existenciais hilárias. “Eu tenho um sapato (que não uso) para ficar olhando” e “Se eu tiver problemas um dia, não foi por falta de felicidade” são apenas algumas de suas pérolas. Com características que lembram muito mademoiselle Chanel, Costanza prefere vestir-se de preto e apostar em acessórios mais elaborados. Nos pés, não abre mão do conforto, mas aprendeu a conferir a agenda de compromissos antes de escolher o modelo. Dependendo da ocasião, ousa um pouquinho. Porém, nunca deixa de levar um par de calçados extra para não passar trabalho. Cercada por fãs de todas as tribos – desde socialites a jovens blogueiras –, Costanza esteve recentemente em Porto Alegre/RS, para participar da inauguração da loja da Capodarte – marca do Grupo Paquetá (Sapiranga/RS) – no Shopping Iguatemi. A dama da moda brasileira também fez questão de conferir a coleção de bolsas que a fabricante gaúcha fez em sua homenagem. Veja o que a it-lady falou sobre a qualidade da produção calçadista brasileira atual, entre outros assuntos.

O brasileiro aprendeu a fazer calçado?

Eu acho que o brasileiro fez um progresso incrível. Conheci o pessoal todo começando. Desde os anos 1970, quando passei dez anos vindo para a região do Vale do Sinos e conheci a família Grendene produzindo a embalagem plástica que envolvia os garrafões de vinho. O que acontecia é que a indústria brasileira tinha qualidade para exportar, mas não se encontrava produto aqui. Então eu e o Fernando de Barros (considerado o introdutor da moda masculina no Brasil) vínhamos à região e pedíamos “por favor, ponham nas lojas brasileiras isso que vocês estão exportando”. E, aos poucos, isso foi acontecendo. Hoje, mais do que calçado de qualidade, o brasileiro está sabendo fazer o fast fashion de sapatos. O acessório se tornou tão ou mais importante que a roupa, e isso começou nos anos 1980. Então, os artigos passaram a ter qualidade em todos os níveis.

E qual modelo de sapato não pode faltar no seu guarda-roupa?

Do jeito que minha coluna está, estou de rasteira sempre.

Preto é a sua cor. Por que essa preferência?

Tenho uma base preta porque é mais fácil. Ponho cor em cima, enfeito um pouco mais. Também gosto de usar acessórios. E na hora de vestir, por onde você começa? Primeiro eu olho minha agenda, para ver aonde eu vou. Aí eu ponho quase sempre a mesma base, vario pouco, porque preto é preto e acabou. Aí eu ponho o sapato e a bolsa já vem junto e é fundamental. Às vezes eu levo dois sapatos, porque eu saio de casa de manhã e troco o calçado à noite. São Paulo é tão grande que a gente não consegue voltar pra casa. E qual modelo de calçado você aposta que vai fazer sucesso no inverno 2015? Não tenho a menor ideia! Acho que cada público gosta de uma coisa. Não é como foi o movimento das ballerinas (sapatilhas), que não existiam no mercado. Hoje já tem praticamente tudo. Acredito que a oferta vai ser tão mais variada do que já foi. Naturalmente, tem alguns fenômenos que acontecem tanto na roupa, quanto no calçado, que viram coqueluche. Não considero isso bom, porque satura.

 

 

:: A BOLSA COSTANZA
Em maio de 2014, a Capodarte lançou no mercado a bolsa Costanza como homenagem à empresária e consultora de moda. Suas histórias, vontades, referências e inspirações foram reunidas em um modelo com design elegante e ao mesmo tempo irreverente, aconchegante e funcional. É clássica para ser eterna e sofisticada para ser atemporal. O processo de desenvolvimento seguiu os mais rigorosos critérios de alta costura, da seleção e tratamento de couros e metais nobres e exclusivos, até as costuras invisíveis e o interior totalmente revestido em couro, garantindo um resultado luxuoso e impecável. O shape inusitado resultou da fórmula “uma bolsa dentro da outra”, em referência ao japonismo dos anos 1980. Na interna, a armação traz a estrutura que ampara e alinha, marcante dessa mesma década, e o fecho remete aos elegantes anos 1940. Externamente, as volumetrias tridimensionais derivam dos anos dourados. 

Reverenciando uma bolsa de croco que pertenceu à sua mãe, Gabriela Pascolato, a padronagem é reproduzida fielmente no couro do bolso interno para tablet e forro da tampa, por meio de tecnologia de alta frequência. A base é amparada por matelassê em nova construção 3D. A bolsa ganha, ainda, compartimentos múltiplos, para abrigar itens imprescindíveis no dia a dia da mulher contemporânea.

Um espelho traz gravado o que Costanza Pascolato considera seus maiores legados: as palavras e a família. Ho’oponopono é uma antiga prática havaiana de reconciliação e de perdão, que Costanza pratica em sua vida e cujos ensinamentos transmitiu para sua neta Aline.

A primeira tiragem de sete bolsas numeradas, em cores variadas e materiais nobres, começou a ser vendida no final de maio de 2014 na loja Capodarte Oscar Freire, em São Paulo/SP, ao preço médio de R$ 3,8 mil.