Vintage e atual

Não foi nada planejado. Maria Casadevall, uma das atrizes mais badaladas da atualidade, afirma não ter o hábito de fazer planos, e com sua carreira não foi diferente. Seguindo sua intuição, a morena começou a se interessar pelo mundo artístico na adolescência e, por isso, decidiu fazer comerciais de tevê. Uma coisa levou à outra, até que ela se viu em um workshop de cinema. Depois disso, não parou mais.

Bastaram algumas peças de teatro e uma série na televisão para que, finalmente, a atriz, hoje com 27 anos, ganhasse um papel de destaque. A paulista deu vida a Patrícia, garota fashionista da novela Amor à Vida, de Walcyr Carrasco, exibida de maio de 2013 a janeiro de 2014 no horário nobre da Rede Globo. Se na trama ela era uma verdadeira it girl, na vida real Patrícia opta por um estilo mais simples. Não é daquelas que acompanham todas as informações de moda e afirma: “Me importa mais estar de acordo com o que meu espírito pede, do que seguindo as tendências”.

Já em relação aos sapatos, Maria se viu realizada ao fotografar a campanha de inverno da Dakota (Nova Petrópolis/RS). “Foi muito inusitado e surpreendentemente bom”, revela. A atriz ajudou a montar os looks com os calçados e confessa ter se apaixonado por um modelo específico da marca. “Uma ankle boot com franjas”, descreve. Confira, a seguir, a entrevista que a atriz concedeu à revista Lançamentos. A gente também vai poder ver ela na próxima novela das 19h da Globo, Lady Marizete, prevista para estrear em abril.

Ser atriz sempre foi seu plano de carreira? Em que momento da sua vida isso ficou claro?
Na verdade, sou uma pessoa que não costuma fazer muitos planos, sigo muito minha intuição. Foi assim desde sempre. Eu escrevia desde menina. Comecei a me interessar por cinema e, com 16 anos, a fazer comercial de tevê. Até que fui parar em um workshop de cinema para entender melhor a linguagem das câmeras. Aí as coisas foram acontecendo e eu percebi que não sabia fazer outra coisa da vida a não ser aquela arte que eu estava descobrindo naquele momento.

Você fez seu primeiro comercial aos 16 anos. Em casa, você sempre teve liberdade para escolher seus caminhos e teve de “ralar” pra isso?
Não precisei ralar, pois sempre morei com minha mãe, que sempre me deu uma autonomia intelectual de decisão, para que eu pudesse escolher os caminhos que me faziam bem: comerciais de tevê, cinema, jornalismo. Para ela, desde que eu estivesse feliz e em paz com o que estava fazendo, estava tudo certo. Ela sempre me aconselhou com um olhar mais atento, mas com muita liberdade.

Até chegar ao personagem Patrícia, de Amor à Vida, passou pela cabeça a ideia de desistir da profissão? O que você faria se não fosse atriz?
Nunca me passou pela cabeça, simplesmente porque eu acho que não saberia fazer nada diferente de atuar. Na verdade, a profissão de atriz é uma maneira de catalogar. Somos todos artistas, que lidam com música, teatro, cinema, literatura, tudo uma coisa só. Se eu não fosse atriz, talvez procuraria outro meio para expressar minha alma, através da cultura, dança, que gosto tanto. As sutilezas do ser humano são a minha praia. Poder observá-las e reproduzi-las é uma coisa que eu gosto muito.

A Patrícia virou referência de moda, uma verdadeira it girl da tevê brasileira. Até que ponto a Patrícia tinha um pouco da Maria? Você interferia nos looks dela?
Em termos práticos, a Patrícia tinha muito pouco de Maria. Mas sempre acaba acontecendo um intercâmbio entre personagem e atriz. Ela tinha um certo despudor na criação que eu tenho: ela não tinha medo de misturar coisas, estampas etc, à maneira dela, diferente da minha. Eu não interferia nos looks, eles vinham montados pela nossa figurinista, e o que eu fazia era dar opiniões e alguns detalhes pequenos, que fazem grande diferença, como, por exemplo, até onde abotoar a camisa.



Você consome moda, gosta de assistir a desfiles, ler revistas, sites, blogs?
Consumo pouco moda, vejo mais o mundo fashion como uma forma de expressão, a maneira como você se apresenta para o mundo e quer que as pessoas te vejam. Me importa mais estar de acordo com o que meu espírito pede, do que seguindo as tendências. Gosto muito de fotografia, então, as referências estéticas vêm mais daí, mas não para composição do look e tendência do momento.

Tem alguma peça de roupa que não pode faltar no armário da Maria?
Meu armário têm muitas peças legais, tipo vintage, que garimpo há anos. Mas itens que eu sempre compro são calcinhas. Não tenho peças-chaves, gosto de algumas peças clássicas e sou de temporadas – de acordo com meu estilo. À medida que vou me descobrindo, altero meu figurino, mas não tenho nenhuma peça que não pode faltar no meu armário.

E maquiagem, você é do tipo que não sai de casa sem?
Pelo contrário, sou do tipo que evita. Sempre que posso, estou sem make. Descanso a pele sempre que possível. Essa temporada na tevê exige muito da pele, então faço questão de descansá-la quando posso.

Quando o assunto é calçado, qual modelo não sai dos seus pés?
Gosto de tênis, sapatos baixos e flats.

Se a intenção é arrasar no look, qual modelo, cor e altura do sapato você escolhe?
Se a intenção é arrasar, me preocupo com a sutileza da ocasião. Me importo menos com o modelo, e mais com o que quero mostrar naquela noite: make, cabelo, colo à mostra etc... me preocupo com a atmosfera do look. Salto alto é imprescindível! Mas é gostoso brincar com isso, com o poder de sedução da mulher.

Como foi participar da campanha de outono-inverno da Dakota? Foi sua estreia em campanhas de calçado?
Foi muito inusitado e surpreendentemente bom. Primeiro que o mood da campanha e a atmosfera são muito bons, me apaixonei por esses fatores. Depois, na hora de montar os looks com sapatos, foi tudo tão orgânico, natural, e eu também fui ajudando a montar, e ficou tudo com a minha cara! Foi minha impressão em todo o dia de fotos e transpareceu bem na campanha. Os sapatos estão lindos, especiais, têm tudo a ver comigo e com o trabalho. Além disso, foi minha estreia nos calçados!

Tem algum modelo da coleção que você mais curtiu?
Sim, teve uma botinha marrom, ankle boot, com aplicações bordô que eu levei para casa! Ela tem franjinhas, é superdelicada, eu não tiro do pé! Uso muito com vestido e me sinto superdoce.

E com relação a bolsas, qual modelo e cor você usa no dia a dia? Tem muitas?
Eu ‘encafifo’ com uma durante alguns meses e uso a mesma. Gosto muito de artesanais, com aplicações e detalhes! Tenho algumas, mas sem exagero. Não sou muito de combinar bolsa com look e calçado, mas gosto de produções que destaquem os acessórios. Gosto de modelos mais divertidos, ou mais clássicos.

Quando você desce do salto?
Na vida, sempre estou com pé no chão. No lado dúbio da pergunta, é muito difícil eu descer do salto – raro, bem raro. Sou supercalma e pacífica.

E quando você sobe no salto?
Quando acho que tem a ver com a ocasião, com o que quero dizer e mostrar.