JATOBÁ SUSTENTÁVEL

A moça do tempo da Rede Globo agora respira sustentabilidade. A grande guinada na carreira de Rosana Jatobá, 42 anos, teve os filhos, os gêmeos Benjamin e Lara, 2 anos, como principais motivadores para que deixasse os noticiários diários para se dedicar às causas do meio ambiente. Depois de 16 anos de jornalismo, hoje, Rosana comanda o portal www.universojatoba.com.br, seu “departamento de comunicação”. O endereço virou polo de convergência de todo o conteúdo produzido pela jornalista em várias mídias – programas na Rádio Globo, documentários no NatGeo, palestras e eventos que media. “O meu leitor (a) encontra um verdadeiro estilo de vida sustentável e pode implementar ações no seu dia a dia, promovendo grandes mudanças”, explica a baiana inquieta.

A sustentabilidade não é apenas discurso. Aliás, a jornalista batalha por ações efetivas para engajar as pessoas por meio do seu exemplo e das suas ideias. E, para provar que o assunto não é brincadeira, Rosana lançou, no final do último mês, um livro sobre a conscientização da importância do cuidado que se deve ter com o planeta. Levando o título “Questão de Pele – A Terra como organismo vivo”, a obra, da Editora Novo Século, é composta por 49 crônicas, que ela começou a escrever há três anos, em seu blog pessoal.

Já quando o tema é moda, Rosana avisa que não é refém de tendências. Prefere o clássico, o atemporal, e ama os vintages que, para ela, são sinônimo de tradição e consciência. Em se tratando de sapatos, confessa que já foi louca por eles, a ponto de comprar o mesmo modelo em cores diferentes. Hoje, adquire um par e doa outros dois, belo exemplo a ser seguido. “Ninguém precisa se privar, mas também não precisa acumular dezenas de pares, que muitas vezes ficam lá estacionados”, ensina. Confira, a seguir, a entrevista completa que Rosana concedeu à revista Lançamentos:

Revista Lançamentos: O que a motivou a trocar o Direito pelo Jornalismo?
Rosana Jatobá:
Desde os 15 anos de idade, eu sabia que iria me dedicar à Comunicação. Sempre gostei de conversar e ouvir as pessoas, emitir minhas opiniões, defender meu ponto de vista. Cursei Direito por influência do meu pai, que é juiz, e Jornalismo, por este ímpeto pessoal. O mais fascinante no jornalismo é poder transitar por muitos ambientes e realidades diferentes, com a missão de descobrir algo novo. Se não tivesse sido repórter de rua durante sete anos, por exemplo, certamente não teria testemunhado dramas como chacinas, acidentes aéreos, explosão de fábrica… Nem teria tido o privilégio de entrevistar personalidades como Harisson Ford, Gisele Bündchen e o ex-presidente Lula, entre outros.

A passagem pela Globo, de moça do tempo a apresentadora, conte como se deu?
Antes mesmo de me formar em Jornalismo, consegui um estágio na TV Bandeirantes da Bahia, minha terra natal, e me apaixonei pela rotina frenética e variada do jornalismo. Em dois anos, fui promovida a repórter de rede e, em seguida, surgiu o convite para ir a São Paulo. Um ano depois de instalada, recebi o convite da Rede Globo, onde passei por várias editorias. Comecei como repórter do Jornal da Globo, fiz reportagens para os outros telejornais, apresentei o Globo Rural diário por três anos e integrei a editoria de Meteorologia do Jornal Nacional por sete anos. Em paralelo, apresentava o Jornal Hoje, o SPTV, o Bom Dia São Paulo e o Bom Dia Brasil como substituta. Embora tenha tido uma experiência muito diversificada, nesses 16 anos de telejornalismo, a moça do tempo foi a imagem que se tornou mais conhecida, pela exposição no jornal de maior audiência do País. Sempre lidei bem com o assédio das pessoas e buscava corresponder ao carinho de maneira atenciosa e grata.

Em que momento as suas preocupações com sustentabilidade tomaram a proporção que têm hoje em sua vida?
Todas essas experiências me trouxeram mudanças nos valores, novos comportamentos, novas perspectivas. Mas a maternidade foi o grande divisor de águas da minha vida. A partir daí, virei uma nova mulher mais preocupada com a coletividade, com as relações humanas e com a situação do planeta. Você quer oferecer aos seus filhos um lugar digno para viver, por isso, suas ações se pautam por essa perspectiva de deixar um legado. A maternidade traz um amadurecimento e um novo foco naquilo que tem mais importância. Ganhei a necessidade de trabalhar por um propósito de ter sentido, significado no esforço de cada dia. Trata-se de um senso de urgência em tentar fazer algo que produza efeitos. Hoje, sou mais feliz e gratificada, pois cumpro uma função social que é útil e pode promover grandes transformações na vida das pessoas.

A sustentabilidade também está presente no seu guarda-roupa? De que maneira?
Gosto de poucos e bons. Peças de qualidade que durem e não sejam reféns de modismos. Isso traduz a essência da sustentabilidade, que é fazer mais com menos. Por isso, privilegio o estilo clássico, atemporal. Se acho que uma peça está um pouco ultrapassada, tento repaginá-la. E amo os vintages. Eles dão um ar de tradição e consciência.

Você consome moda, está atenta a tendências e as segue?
Assino a Vogue e a Bazaar para entender os conceitos. Gosto de ver, através da moda, o espírito dos tempos. Mas não sou vítima de modismos, nem de tendências. Uso o que me cai bem e o que me fascina. Como diz a minha musa, Chanel: “A moda não é algo presente apenas nas roupas. A moda está no céu, nas ruas, a moda tem a ver com ideias, a forma como vivemos, o que está acontecendo.”



Qual seu modelo de calçado preferido?
Gosto das sandálias.

Até que ponto o sapato interfere no seu look?
Ele é decisivo! Tem que ter harmonia com a roupa, ser confortável e belo. Muitas vezes escolho o sapato e aí decido qual roupa usar.

Como são seus hábitos de consumo?
Já fui louca por sapatos, a ponto de comprar o mesmo modelo em cores diferentes. Hoje em dia, gosto de investir em um bom par e tê-lo sempre com cara de novo. As grandes grifes têm design e conforto. Se compro um par, tiro dois do meu closet e doo. Ninguém precisa se privar, mas também não precisa acumular dezenas de pares, que muitas vezes ficam lá estacionados.

O que um calçado precisa ter para conquistá-la? 
Bom acabamento, matéria-prima de qualidade, beleza e conforto. Se for lindo e causar calos, tô fora!

Quais os cuidados básicos que você tem para se manter sempre bela?
A minha vaidade está mais relacionada ao bem-estar. Gosto de fazer atividade física para ter uma vida mais saudável, e, de quebra, mantenho o corpo firme e torneado. Gosto de cuidar dos cabelos, dos dentes, uso alguns cremes na pele, maquiagem leve quando a ocasião pede, mas curto também ficar de cara lavada. Não sou de extremos. Estou na média das mulheres que se cuidam porque se amam. Acho o botox uma tecnologia bárbara e não vejo mal nenhum em assumir. Uso botox na testa e nos cantos externos dos olhos há cerca de cinco anos, a cada 10 meses. Acho que tira o ar cansado e previne rugas. Mas acho estranho modificar os traços, como aplicar na boca, por exemplo. Mulheres bonitas ficam todas com a mesma cara e acham que ninguém percebe... é até engraçado.

O que o sapato diz de uma pessoa?
Se ela é criativa o suficiente para tirar o melhor proveito daquele que dá um efeito especial ao look.

Qual o tamanho e o tipo de bolsa que prefere? Por quê? 
Depende da roupa, vale qualquer tamanho. Para o dia a dia, gosto das grandes, nas quais posso levar meu escritório dentro! (risos). Mas para sair à noite, uma clutch é charmosa, leve e comporta o batom, celular, espelho e carteira.

Quando você desce do salto?
Aprendi que ficar no salto é a fonte do equilíbrio e da razão. Pra que descer? Como dizia Fernando Pessoa: “Para ser grande, sê inteiro: nada. Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.”

E quando você sobe no salto?
Quase todos os dias!

RAPIDINHAS
Nome: Rosana Rocha Cavalcante Jatobá
Idade: 42 anos
Cidade onde nasceu: Salvador/BA
Data de nascimento: 16 de janeiro de 1971
Altura: 1m70cm
Peso: 59 quilos
Cabelos: castanhos escuros
Olhos: castanhos escuros
Detesta: injustiças
Adora: simplicidade
Admira: proatividade
Defeito: autocrítica
Qualidade: generosidade
Animais: cachorros
Perfume: Chanel nº 5
Maquiagem: Mac
Passatempo: leitura
Mania: internet
Um ídolo: já se humanizaram
Cantor/cantora: Ray Charles/Maria Bethânia
Banda: as de Jazz
Prato: lagosta ao alho e óleo
Atriz: Meryl Streep
Ator: Jack Nicholson
Livro: O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha
Vício: vinho
Homem bonito: meu marido, Frederico, e, na falta dele, Brad Pitt
Mulher bonita: Isabelli Fontana
Um luxo: minha fazenda de coco na beira do mar, na Bahia
Uma frase: Só existe um lugar: Aqui. Só existe um tempo: Agora. (Rajneesh)

Responsabilidade ambiental e de humanidade são temas indispensáveis na vida de Rosana. Por isso, a jornalista escreveu, em seu blog, uma crônica entitulada “Questão de Pele”. A baiana aborda o assunto polêmico sobre contribuir ou não com a indústria da pele de animal. Confira aqui o texto na íntegra.