Cada vez melhor!

Por Roberta Pschichholz

A história da modelo Shirley Mallmann se confunde com a da revista Lançamentos. Aos 35 anos, a gaúcha de Santa Clara do Sul segue firme e forte no mercado, e nem pensa em parar. “Nunca se sabe o dia de amanhã, e acredito que a vida nos dá oportunidades e cabe à gente aproveitá-las”, filosofa. Mãe de dois filhos, Shirley passou um tempo longe das passarelas, até retornar triunfante, inclusive como destaque em semanas de moda nacionais. 

Por pouco, o mundo da moda não perdeu Shirley para o calçado. Por dois anos e meio, a modelo trabalhou numa fábrica, onde passou por diversos setores, até chegar ao de costura. Aos 17 anos, resolveu procurar um curso de modelo para melhorar a postura. Mal poderia imaginar que, a partir daí, seu destino mudaria. De trabalhos em Porto Alegre, Shirley foi para São Paulo, onde passou maus bocados e só não voltou para sua cidade natal porque faltou grana. 

Depois da maternidade, a prioridade passou a ser a família. Mas nada que a impeça de fazer um trabalho e voltar correndo para o lar. Aliás, a atual moradora de Nova Iorque pretende voltar a morar no Brasil. Confira a entrevista da loira que tem como vício lavar roupa (!) concedeu à revista Lançamentos: 

Revista Lançamentos - Você tem uma história de vida que passa pelo calçado. Como foi trabalhar como operária de fábrica de sapato? Qual era a sua função?
Shirley Mallmann - Aprendi muito trabalhando numa fábrica de calçados. Comecei aos 15 anos e não conhecia nada sobre sapato. Aos poucos, fui aprendendo e até gostando, apesar de ter sido um trabalho duro. Fiz várias coisas diferentes durante os dois anos e meio que trabalhei, mas no fim da minha "carreira" na fábrica eu estava costurando.

Essa experiência fez com que você aprendesse sobre a estrutura do calçado e hoje você aplica esses conhecimentos na hora de comprar sapato?
Com certeza, hoje sei apreciar um sapato bem feito ou, se não é bem feito, também posso ver logo.

Em que situação e quantos anos você tinha quando foi descoberta? 
Eu tinha 17 anos quando procurei um curso de modelo na cidade de Lajeado, a 15 minutos de Santa Clara. Na verdade, queria melhorar minha postura, que não era boa, e também aprender certas etiquetas que eles ofereciam no curso. Jamais pensei que poderia ter a chance de realmente me tornar uma modelo. Um grande amigo meu, Xico Gonçalves, foi dar uma palestra no curso e me convidou para ir a Porto Alegre fazer alguns trabalhos com ele. Depois disso, fiz meu primeiro book em Porto Alegre e comecei a trabalhar.

Conte como foi esse início de carreira, se você chegou a pensar em desistir e quais foram suas maiores dificuldades.
O começo foi bem difícil, meus pais não tinham condições financeiras de me ajudar e fui chamada a São Paulo para trabalhar lá. Chegando, fui morar com outras sete meninas, todas recém-chegadas e sem dinheiro ou experiência alguma. Essa foi a parte mais difícil da minha vida, não somente da minha carreira, pois tive que lutar muito para conseguir me adaptar. Como a minha beleza não é tradicional, demorou um pouco para começar a trabalhar. Pensei várias vezes em desistir, mas não tinha telefone para ligar para os meus pais, eles também não tinham telefone em casa e eu não tinha dinheiro para pegar um ônibus e voltar ao RS. Essa fase durou quase um ano. Depois que comecei a trabalhar, realmente comecei a aproveitar e a gostar da minha profissão.

Você parou de desfilar, teve seus filhos e retornou fazendo o maior sucesso. A quais fatores você deve essa permanência nas passarelas, diante de tantas new faces surgindo a cada dia?
É muito difícil responder a essa pergunta, pois cada caso é muito diferente. Mas acho que o que me ajuda muito é o meu biotipo. Posso fazer tanto a parte fashion como trabalhos comerciais. Sempre fui muito profissional, aprendi isso com a minha família, trabalho duro e gosto do que eu faço.

Com relação à carreira, mudou alguma coisa depois que você se tornou mãe? Passou a selecionar melhor os trabalhos e dedicar mais tempo à família? Como lida com esse dilema? 
Minha vida mudou radicalmente depois que tive meu primeiro filho. Não sabia que, quando meu filho nascesse, ele viraria o centro do meu universo. A minha prioridade virou minha família e hoje adoro meu trabalho. Faço um trabalho e depois volto para minha casa, para a minha vida.

A quais fatores você credita a carreira de sucesso que tem, desfilando para os melhores estilistas e fazendo grandes campanhas? O que a Shirley tem de diferente?

Acho que muito tem a ver com sorte mesmo, estar no lugar certo, na hora certa. Quando comecei, era o fim da época das grandes top models e eles estavam procurando belezas um pouco diferentes. Também entrei na era do heroine chic, muito magras, pálidas. O profissionalismo também conta muito, a vontade de querer trabalhar e fazer bonito. Cuidar do corpo, se alimentar bem, dormir. Nunca fui muito de sair, pois sempre queria estar bem para trabalhar no dia seguinte.

Já definiu uma data para parar de modelar? Quais os planos para o futuro?
Na verdade, acho que nunca vou definir uma data certa, acho que tudo na vida acontece no seu tempo. Nunca se sabe o dia de amanhã, e acredito que a vida nos dá oportunidades e cabe à gente aproveitá-las.

Com relação a sapatos, você é do tipo que compra por impulso ou é mais controlada?
Hoje em dia adoro namorar um sapato e pensar no caso... tipo ver na vitrine ou na revista e imaginar como posso usá-lo. Antigamente adorava sapatos de salto alto, de preferência Manolo Blahnik, mas hoje em dia, depois de ter filhos e ter uma vida mais caseira, já não tenho mais esse impulso.

Qual tipo de calçado lhe encanta?
Adoro botas. 

E o que não sai do seu pé?
Havaianas e rasteirinhas pretas de couro, de prefêrencia pontudas.

Quando o assunto são bolsas, qual seu modelo preferido?
A minha preferência muda com as estações e o que está se usando, mas sempre tendencio a comprar bolsas maiores.

Fotos: Luiz Mattos/Divulgação/Arquivo Pessoal

Para ler esta matéria na íntegra é necessário ser assinante virtual da revista Lançamentos.

Confira, também, o post no blog da editora da Lançamentos sobre a modelo.