HERCHCOVITCH, IRREVERENTE COMO ELE SÓ

Nome imponente, atração pela irreverência e um talento criativo revelado com - somente - dez anos de idade. Alexandre Herchcovitch (1), que em 2013 completa 20 anos de carreira, não tornou-se ícone apenas por entender a modelagem como poucos, mas sim por agregar ao cenário fashion nacional da década de 1990 uma identidade até então não vista, embasada pela mente do jovem educado pelo padrão judaico ortodoxo e adepto do circuito alternativo da noite paulistana. E, principalmente, por mostrar ao mundo que o Brasil também cria moda.

Nascido em 1971, na cidade de São Paulo, aprendeu com a mãe, Regina Herchcovitch (2), os macetes de corte e costura ainda criança. Em 1988, o mais reconhecido símbolo do estilista estampou uma camiseta feita por ele. Era a inserção da caveira (3) na história da moda brasileira. No mesmo ano, a drag queen Marcia Pantera (4) tornou-se musa para seus looks extravagantes.

  
2, 3 e 4.

Profissionalizado, desfilou seu talento em Londres, na Inglaterra, em março de 1999, fora do calendário oficial. A apresentação e as vendas das peças no centro de moda e também em Nova Iorque refletiram-se no convite para desfilar na London Fashion Week. Após três temporadas na line-up londrina, Paris passou a ser o endereço para seus lançamentos no exterior (5). Razões comerciais o levaram, em 2004, para uma nova capital fashion: Nova Iorque, onde desfila até hoje (6) – sem abandonar a São Paulo Fashion Week e a Fashion Rio.

 
5 e 6.

Em 1990, ingressou na Faculdade de Moda Santa Marcelina e lançou sua marca de camisetas e roupas especiais para shows. Em 1993, seu estilo se impôs definitivamente com o desfile de formatura acadêmica. No ano seguinte, a coleção completa da marca Herchcovitch; Alexandre foi lançada no primeiro Phytoervas Fashion, evento criado por Paulo Borges, que gerou a São Paulo Fashion Week. Iniciou-se, então, uma escalada de sucesso surpreendente.

Mas, tamanha é sua irreverência (7), que as críticas nem sempre são positivas. Exemplo disso é a avaliação do jornal The Washington Post às criações que Herchcovitch apresentou nas passarelas nova iorquinas para o outono-inverno 2007 do Hemisfério Norte: “beiram o ridículo”. A coleção, inspirada em boias-frias e trabalhadores rurais, mostrou alguns looks compostos por sacos de lixo em forma de vestidos (8).

 
7 e 8.

Além de ser o estilista brasileiro com maior fama internacional sob a própria assinatura, Herchcovitch respondeu até 2007 pela direção criativa da Cori, mesmo ano em que assumiu como diretor criativo e curador criativo da Zoomp, deixando-a em abril de 2008 para se associar à empresa de investimentos InBrands. O ícone também é, desde 2006, diretor artístico do bacharelado em Design de Moda do Centro Universitário Senac.

Licenciamentos diversos integram seu portfólio: de óculos e relógios para a Chilli Beans (9) e louças para Tok & Stok (10), até móveis para a Micasa (11). Na linha de acessórios, uniu-se com a estrangeira Medicom em bolsas, pochetes e carteiras. Com a empresa Pacific, oferece no mercado nacional bolsas, totes e malas (12).

  
9 e 10.
 
11 e 12.

E quando o foco são calçados, sua parceria com a Melissa iniciou-se com o modelo Scarfun (13) há mais de uma década, inclui o lançamento de uma polêmica sandália masculina (14) e, a cada temporada, lança itens de desejo. Em 2005, cruzaram pelas passarelas os primeiros tênis que assinou para a Converse (15). Com a fabricante argentina Pony, sua criatividade deu vida a uma linha premium de tênis (16). Em sua coleção primavera-verão 2010/11, juntou-se a Alexandre Birman e a Schutz produziu os sapatos de seu desfile (17). Já a Via Uno lançou a linha sob aval do estilista no ano passado (18).

  
13, 14 e 15. 
  
16, 17 e 18.

É tanta história para contar, que o nome que veste uma lista eclética de personalidades - de Lady Gaga (19) à presidente Dilma Rousseff (20) - ganhou homenagem especial na edição nacional da revista Vogue no mês de setembro e é tema de um longa-metragem, ainda em gravação e sem data prevista para estreia, com o título provisório “Desconstruindo Herchcovitch”.

 
19 e 20.