Um vestido e seu laço de 40 anos com a moda

Por Camila Veiga

Nos últimos 40 anos, inúmeras tendências e criações de moda surgiram, propagaram-se e caíram no esquecimento. Mas Diane von Furstenberg (1) alcançou a proeza de desenvolver uma peça que há quatro décadas mantém lugar cativo no guarda-roupa das mulheres. O wrap dress, ou vestido envelope, foi concebido pela estilista belga quando ela tinha 26 anos e dava início à grife que leva seu nome.



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“Feel like woman, wear a dress” – Sinta-se mulher, use um vestido. Este era o slogan da campanha (2), estrelada pela própria Diane, em 1974, para o lançamento do vestido que transpassa o corpo e envolve a cintura com um laço. Sua amarração, tão simples de ser feita, resulta em decote ‘V’ que possui o admirável poder de alongar a silhueta e favorecer todas as formas femininas, do plus size ao tamanho PP; da jovem menina à senhora. 


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A estilista já havia pertencido à nobreza. Ao casar-se com o príncipe austro- italiano Egon von Furstenberg, em 1969 (3) – união que durou até 1972 – Diane Simone Michelle Halfin recebeu o título de ‘Princesa de von Furstenberg’. Mas sua mente criativa sempre esteve atenta ao estilo da mulher comum, de classe média. Logo, seu vestido precisava fazer bonito do trabalho aos eventos noturnos. Tecidos, cores e estampas diversas permitiram esta configuração. 


Em 1976, o wrap dress de Diane já havia somado mais de 1 milhão de peças vendidas. Na mesma data, a revista Newsweek (4) a anunciou como a mulher mais poderosa da moda depois de Coco Chanel. Na década de 1980, mudou- -se para a Europa. Nos anos 1990, retornou ao solo norte-americano e percebeu que o modelo era procurado em lojas vintage. Era o momento de relançá-lo, o que ocorreu em 1997. Em 1998, publicou o livro “Diane: A Signature Life” (5), um compilado de suas memórias. Nos anos seguintes, retomou a força de seus negócios, construindo um verdadeiro império de luxo.

 
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Em 40 anos, inúmeras releituras do vestido vieram. São versões longas, curtas, medianas. Com manga longa ou não. Do algodão à seda. A adaptação da Issa, grife criada pela brasileira Daniella Helayel, conquistou a Duquesa de Cambribge, Kate Middleton, em seu noivado com o príncipe William (6). De Michelle Obama (7) à moda das ruas, toda mulher tem um.

 
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Diane foi nomeada a mulher mais poderosa da moda pela revista Forbes em 2012. Hoje, é uma cidadã do país onde chegou em 1970 com uma mala e 12 vestidos de jersey: Estados Unidos. Preside o Conselho de Estilistas de Moda da América (CFDA) desde 2006 e engajou- se na filantropia, incentivando o empreendedorismo feminino. Vai liderar um reality show no canal televisivo E!, que irá culminar na Semana de Moda de Nova Iorque, com a escolha de um novo embaixador global para sua grife. 

A DVF oferece quatro coleções completas por ano. A gama de acessórios estende-se a sapatos (8), bolsas (9), lenços, óculos, jóias, relógios e bagagem, além da linha de decoração. A rede de distribuição contempla mais de 55 países e 1,5 mil pontos de venda. De 11 de janeiro a 1º de maio deste ano, Los Angeles foi palco para “The Jorney of a Dress” (10), a exposição focada na história do wrap dress, que já passou por Moscou, São Paulo e Pequim.

  
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Da carta (11) que lançou a carreira da estilista (12), escrita pela editora da Vogue americana nos anos 1970, Diana Vreeland, até criações exclusivas, algumas com os traços de Andy Wharol (13), e o desfile de celebridades (14, 15 e 16), o cenário retratou a paixão evocada por uma peça, incontestavelmente, icônica (17). - Site Oficial

  
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