Marilyn Monroe: carreira e estilo do ícone

Por Roberta Pschichholz

De Madonna a Lady Gaga, passando por nós, mulheres comuns. Todas, de um jeito ou de outro, vão brincar de ser Marilyn Monroe. Seja na hora de platinar o cabelo, usar batom vermelho, delineador, o perfume Chanel nº 5, um vestido branco esvoaçante acinturado, lenços, camisa amarrada, boás, peles, luvas, rendas. Não há como escapar das referências de estilo que marcaram a curta vida da bombshell, que morreu há exatos 50 anos, aos 36. Por conta da data, quem é pouco familiar ao maior ícone feminino de nossos tempos vai ter a chance de conferir filmes, exposições, livros, coleções de moda, maquiagem e reportagens especiais, a exemplo dessa que você lê agora.

Tudo na intenção de reverenciá-la e também como forma de tentar entender quem foi Norma Jeane Mortenson, a ruiva que, da noite para o dia, virou Marilyn Monroe, descoloriu os cabelos e conquistou jogador de baseball, escritor, presidente e toda uma geração de homens – e por que não mulheres –, embasbacados com sua beleza, estilo e sex appeal. Por seu legado fashion, Marilyn permanece intacta no imaginário coletivo e, por mais que muitas tentem superá-la, todos esforços serão em vão. Uma explicação para sua aura imortal está no contexto social da época em que despontou, nos anos 1950. Marilyn personificou o espírito do período e, ao mesmo tempo, estava à frente de seu tempo. Era ultrafeminina e tinha a doçura da girl-next-door, uma mistura contraditória que a tornou perfeita para aquele momento, uma sociedade que ainda cultuava suas tradições e que, aos poucos, se abria para falar de sexo.

CONTEMPORÂNEAS DE PESO - Mais do que qualquer outra figura pública de seu tempo – Marilyn foi contemporânea de outros ícones de beleza, como Grace Kelly, Audrey Hepburn, Ava Gardner, Brigitte Bardot –, ela fez designers despertarem para a consciência das formas do corpo feminino, influenciando nomes como Yves Saint Laurent, Alexander McQueen, Terry Mugler e Jean Paul Gaultier.

Em entrevista, Marilyn falou a seguinte frase, que poderia resumir seu legado fashion: “Eu acredito que seu corpo deve fazer suas roupas aparecerem bem, ao invés de usar roupas para vestir o corpo de acordo com o que é considerado fashion no momento (…). Roupas, para mim, deveriam ter uma relação com o corpo, não ser algo distinto dele”, ensinou.

POR QUE ELA? Seja por suas roupas, a maquiagem, pelos cabelos louros, a intimidade com a câmera, o sorriso com a boca entreaberta: tudo em Marilyn seduzia. “A figura dela é marcante porque a indústria cinematográfica norte-americana também soube explorar sua imagem, vendendo para o mundo o American Way of Life”, analisa a professora do curso de Moda e Design da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo/RS, Ida Helena Thön, também coordenadora do Museu Nacional do Calçado.

Ao mesmo tempo em que virou referência do pós-guerra, a loira demorou para desbancar suas colegas, justamente por causa da sua voluptuosidade e sensualidade. Difícil olhar para Marilyn e dar atenção a suas roupas. Importante lembrar que, nesse período, ao contrário da atual invasão de repórteres do sexo feminino nos eventos de red carpet, naquele tempo praticamente só havia homens trabalhando, nenhum muito ligado à moda. Marilyn também era do tipo que preferia ouvir “você está linda” a ter de responder “qual estilista você está usando”. Diferentemente da popularidade atual dos estilistas, muitos trabalhavam produzindo roupas para os estúdios de cinema e, assim como aconteceu com Marilyn, suas criações acabavam acompanhando os artistas em eventos e no dia a dia.

Além de revolucionar o jeito de vestir, miss Monroe também fazia coisas impensáveis para a época, tais como apostar em looks sem sutiã, adotar o penteado “morning after”, com cabelo solto ao invés das madeixas presas, e, pasmem, 30 anos antes da febre da malhação, a loira já levantava pesinhos e era vista caminhando por Beverly Hills para “manter o corpo no lugar”. Sabe-se que ela também fez plástica para reduzir a ponta do nariz e as narinas e também mudou o queixo. Nem os pés a diva gostava de tapar. Prova disso eram os calçados – muitos deles feitos por Salvatore Ferragamo – decotados, com o peito do pé à mostra, sandálias com tiras finas, aplicações em strass, verniz, pedrarias, veludo, além do clássico salto stiletto, que ajudou a popularizar.

“Roupas, para mim, deveriam ter uma relação com o corpo, não ser algo distinto dele.”
Marilyn Monroe

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