YSL | Yves Saint Laurent

Por Nelson Batista Zimmer

Com o devido consentimento de quem esteve ao seu lado por 50 anos – meio século, numa contagem mais romântica –, chega aos cinemas franceses a película autorizada por Pierre Bergé, Yves Saint Laurent. Trata-se de uma história de amor, é bom avisar, antes de mais nada. 

Essa é a visão, um tanto cor-de-rosa, do diretor Jalil Lespert à respeito do filme, em cartaz no circuito brasileiro de cinemas a partir de 4 de abril. O mesmo sentimento romanesco envolve todo o filme e se divide entre moda, croquis, peças de roupa impecavelmente concebidas, joias suntuosas e muitas tendências lançadas ao longo da carreira desse incrível estilista.


:: Yves Saint Laurent (Pierre Niney) experimenta tecidos com Victoire Doutreleau (Charlotte Le Bon)


:: A semelhança entre Pierre Niney e Yves é tamanha que Pierre Bergé declarou em sua conta pessoal do Twitter: “Niney não interpreta, é Yves no filme.”

O recorte de apenas 20 anos – 1956 a 1976 – na vida de Yves é o ingrediente principal do filme, que refaz parte da trajetória do jovem estilista interpretado por Pierre Niney, assim que ele chega para trabalhar na Maison Dior ao lado de outro ícone de inteligência fashion, Christian Dior. Um tempo depois de assumir a direção dessa grife, a deixa para trás, para abrir sua própria marca. 

Ao seu lado, Pierre Bergé (Guillaume Gallienne) o encoraja a seguir em frente e o apoia, tanto financeira quanto moralmente. Talvez esse seja o momento em que a história fica mais densa e outros aspectos da vida e da sua própria personalidade que, em episódios depressivos, chegou a consumir álcool e drogas, venham à tona. Yves Saint Laurent é famoso no mundo inteiro por suas criações geniais, por seu talento incomparável – melhor dizendo, comparável somente ao de Chanel e Dior – e temperamento forte. Juntos, eles fizeram de Paris a capital mundial da moda.



No entanto, é o amor entre Yves e Pierre que costura toda a história desses dois visionários, que construíram um verdadeiro império no mundo da moda, acertando em cheio no gosto e desejo das mulheres a cada nova coleção desenhada e desfilada.

Fazendo História
Yves Saint Laurent (1936-2008) nasceu na Argélia, durante a dominação francesa. Mudou-se para Paris com apenas 17 anos de idade. Logo, em 1961, fundou sua própria casa de alta-costura com Pierre Bergé. Juntos, comandaram a marca que só cresceria nos anos seguintes, baseado na genialidade de Yves e na determinação de Pierre.

Clássicos do guarda-roupa saem da mente de Yves, como o smoking feminino, chamado de ‘le smoking’. Neste ponto específico de sua história pessoal, o estilista chama muito a atenção, já que cria um novo ícone e conquista de imediato mulheres do mundo inteiro. 

No início da maison YSL, a cor negra era a favorita do estilista, que abusou dela por muitos anos consecutivos. A jaqueta saariana é outra peça que tem a assinatura de Yves, confeccionada em tecido leve em tons verdes ou terrosos, com bolsos e cintura justa. Ele também inseriu referências diretas de Mondrian em vestidos para passarela, um casamento até então inusitado entre moda e arte.

Yves criou sua primeira fragrância em 1964, Y. Alguns anos mais tarde, lançou o sucesso mundialmente conhecido, Opium. Ao mestre, também estão creditados o figurino de importantes filmes do cinema francês, como a ‘Bela da Tarde’ (La belle de jour), de Luis Buñuel, estrelado por Catherine Deneuve. A marca YSL foi vendida ao grupo Gucci em 1999, poucos anos antes dele se aposentar.

Drops
:: Yves Saint Laurent, dirigido por Jalil Lespert, teve autorização de Pierre Bergé para dar vida à sua própria história ao lado de um dos ícones da moda mundial. Bergé, inclusive, autorizou que determinadas cenas fossem gravadas na fundação que mantém, chamada Fundação Pierre Bergé - Yves Saint Laurent, que detém milhares de roupas, croquis originais e o ateliê de Yves.

:: Bergé, em declaração na sua conta pessoal do Twitter, foi só elogios à interpretação de Pierre Niney: “Niney não interpreta, mas é Yves no filme”, tamanha a identificação que ocorre entre o ator e o próprio estilista. Ele participou de aulas de desenho e conviveu num ambiente clássico de criação de moda para se inteirar mais ainda do meio fashion. :: O filme Yves Saint Laurent traz roupas originais criadas pelo estilista, assim como joias, todas parte do acervo da fundação.

:: Paralelamente ao filme de Jalil Lespert, outro longa foi rodado na mesma época. Trata-se de Saint Laurent, com direção de Bertrand Bonello e Gaspard Ulliel no papel principal. A produção, ao contrário da primeira, não tem a autorização ou aprovação de Pierre Bergé.

1- A icônica Jerry Hall estrela a primeira campanha de Opium, para YSL nos anos 1970, que inclusive chegou a ser mal interpretada em alguns países. O clique é de Helmut Newton



2- Mais tarde, Linda Evangelista também estrelou a campanha de Opium, em 1988



3- Kate Moss teve seu momento Opium da mesma forma, numa cena bastante dramática, em 1993

4- Sophie Dahl clicada por Steven Meisel com direção de Tom Ford. Campanha do ano 2000, também para Opium. O anúncio foi banido de outdoors no Reino Unido e se tornaria um campeão de reclamações



5- Yves Saint Laurent nu em imagem criada por Jeanloup Sieff para a campanha do perfume Pour Homme nos anos 1970



6- Em frente à sua loja, Yves veste roupa com evidentes inspirações nos safáris


7- Talvez uma das imagens que mais retrate a grife Yves Saint Laurent. Foto tirada em 1975, por Helmut Newton apresenta o ‘le smoking’



8- Inspirado no pintor holandês Piet Mondrian, Yves Saint Laurent bebe da arte para colorir seu tubinho em 1965 num casamento inusitado, mas de muito sucesso



9- A modelo Veruschka veste a jaqueta saariana, outra peça que se tornaria marca do estilista



10- Genial e de personalidade forte, Yves Saint Laurent foi um dos estilistas responsáveis por fazer de Paris a capital mundial da moda



11- Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, seu sócio e companheiro por meio século

EXTRA - Assista ao trailer do longa:

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