CHEGOU A HORA DE MOSTRAR SEU VALOR

Aposte no visual merchandising para reafirmar a importância de sua loja e apele para a brasilidade e criatividade na hora de fazer sua vitrine

Vivemos um momento de incertezas de todas as naturezas. Enquanto a economia anda nos pregando sustos, nós, por outro lado, somos vítimas de nós mesmos. Desde 2008, o mundo vem passando por muitas alterações. Em pesquisas referentes a este período, até os atuais acontecimentos que abalam nossa economia, percebi um padrão de contração e expansão dos varejistas. Não sou especialista no assunto, então, fico na seara do visual merchandising e de que maneira ele foi utilizado nestes momentos.

Conscientes de que o mercado está frágil, temos de tomar muitas atitudes que envolvem cortes de despesas, desde redução da equipe até compras. Enfrentar “ondas bravas” nos leva a tomar atitudes muitas vezes extremas e é preciso ter uma visão ampla do mercado, olhar atentamente os movimentos dos consumidores e não entrar em rota de colisão com rochas. 

De fato, 80% cortaram despesas, porém, nunca deixaram as suas lojas refletirem o que estava acontecendo, pois a tempestade passa e sobrevive quem pensa com os pés no chão, mas fazendo seus clientes sonharem.

Desde janeiro, praticamente entramos em uma promoção permanente nas lojas. Muitos adesivos e pouca ambientação, com algumas exceções nas datas comemorativas. E a pergunta que não quer calar é: por que os estabelecimentos que mantiveram um visual merchandising impecável venderam mais que os que apenas adesivam ou não fazem nada? A resposta é relativamente simples. Na crise de 2008 nos Estados Unidos, que afetou praticamente o mundo todo, houve uma contração inteligente nos gastos desnecessário. Um bom exemplo foi na energia, com mudança nos sistemas de iluminação. Também reciclaram tudo que fosse possível, de caixa de papelão a material de ambientação, entre outras atitudes que, inclusive, mudaram a forma de pensar o planeta mundialmente.

 
Dolce & Gabbana e Printemps

Lógico que houve cortes severos e drásticos, mas, ironicamente, foi um dos anos em que as vitrines tiveram mais destaques. Por que isso aconteceu? Pelo simples fato de que um visual merchandising – tanto interno, quanto na vitrine – vende sozinho, sendo viáveis menos vendedores, uma vez que o cliente é atraído com habilidade, utilizando materiais mais baratos e sustentáveis.

Vitrines feitas de papeis explodiram. As de objetos alternativos como móveis reciclados se tornaram cult. Também nesta época o retrô apareceu com tanta força que manteve-se até os dias atuais. E, contraditoriamente, o luxo virou um contraponto. 

Para isso, precisamos entender a mente do consumidor retraído, preocupado em controlar gastos desnecessários. Como ser necessário para esse público? Existem diversas fórmulas, uma delas é retratar a vida cotidiana com uma pitada de humor, como a vitrine da Dolce & Gabbana, com suas mulheres no salão de beleza. Expor objetos que remetam à família – bem mais precioso –, também é uma boa saída.

A ordem do dia é, com uma boa consultoria, saber fazer compras compactas mais vendáveis, controle financeiro bem elaborado, equalizar preço dos produtos e “explodir” no impulso do desejo.

# IMPACTO NA AUTOESTIMA
Psicologicamente, existem alguns pontos muito ligados à neurolinguística, como por exemplo: o sapato e bolsa têm grande impacto na autoestima de quem está atravessando uma crise, ou, sem saber para onde ir. Aliás, para um novo caminhar, nada melhor que um belo sapato. Para procurar emprego, um camisa branca basta, mas seu sapato e sua bolsa vão dizer muito quem você é, qual seu repertório de vida. Uma profissional de RH olha direto para estes acessórios.


Hermes

:: BRASILIDADE COMO PROTAGONISTA
Quando cito a música dos Novos Baianos “Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor(...)”, estou, literalmente, falando para nossa brasilidade tomar o protagonismo criativo presente em nosso DNA. Nós, brasileiros, temos no exterior um valor como criativos e de alto poder de adaptação que fazem o Tio Sam ter inveja. Sempre vivemos na companhia de altos e baixos, mas, neste momento, precisamos colocar outros ingredientes no tempero, tais como paciência, coerência e o ímpeto de desbravador.

É preciso buscar novos horizontes e eles estão no melhor uso da Internet, das redes sociais e na volta aos relacionamentos mais pessoais com os clientes. Não precisa muito para fazer um cliente parar diante de sua loja e se encantar. Basta uma chuva de sapatos com um simples fio e, “tcharã”, o cliente para e esse é o segredo: tirá-lo do lugar comum, das preocupações do cotidiano e, sem perceber, ele estará se dando um presente. O que não dá é para ficar parado, vendo as grandes redes de fast fashion levar tudo, empresas estrangeiras tirarem seus clientes, crises que sabemos que passarão tirando seu ânimo. Essa é a hora de mostrar seu valor.

Regra: crie, ouse, diferencie-se. Essa história de datas sazonais não rola em um país continental.

Este texto até parece autoajuda, PNL, ou mesmo um tanto piegas. Mas era necessário que eu desse um testemunho. Meus maiores trabalhos foram fechados em plena crise de 2008 e 2009, porque existe uma coerência nele todo. Em momentos de contração do mercado, somente a expansão das ideias é que nos trás resultados.


Manolo Blahnik

Nossa autoestima está abalada desde junho de 2014, com Copa do Mundo, eleições, manifestações, escândalos, aumento de impostos etc. Só temos duas saídas: nos deixarmos levar por todos estes acontecimentos ou não.

É como diz a música:“Brasil, esquentai vossos pandeiros, Iluminai os terreiros que nós queremos sambar! (…) Há quem sambe diferente noutras terras (…).”

Existe uma máxima que é necessário resgatar: nada aumenta mais a autoestima de uma mulher que um bom cabeleireiro, sapato de salto novo e uma bolsa bafônica! Isso já vira tema de vitrine.

Toda crise passa, ou nos adaptamos a ela. O que jamais pode passar é a relevância de sua marca para os clientes atuais e para os novos que virão. Falo dos que virão porque, em ocasiões como a que estamos vivendo, é comum o dinheiro mudar de mão. Tudo bem, desde que ele tenha sua marca como objeto de desejo.