VITRINE DE INVERNO: ETERNO DILENA

Calor, frio, temperatura amena. Para tudo porque começou a chover! 

A frase acima, aparentemente, é a coisa mais contraditória possível e, de maneira paradoxal, é a mais pura realidade climática que vivemos no mundo. 

No inverno, pode nem fazer frio e sermos obrigados a andar com casaco na bolsa, porque uma mudança de temperatura está à espreita e pode nos pegar a qualquer momento. 

Isso por si torna a venda de produtos sazonais um grande desafio e, se falarmos em uma produção temática de vitrine, quase um tiro no escuro. Acrescente a tudo isso um país de proporção continental como o Brasil e temos uma “bomba” em nossas mãos no que tange ao visual merchandising. Agora começa nosso desafio. Estamos aqui para falar de vitrine de inverno. Só que boa parte do território nacional nem considera a estação em seu calendário extraoficial. Mas, na realidade da moda e da indústria, ela existe sim, e está entrando com megaforça em todas as lojas do País. Sendo assim, sem dilema, vamos resolver. 

Dentro desta temática invernal, podemos nos basear somente nos conceitos da moda e não do clima. O que queremos dizer com isso? Nada que represente quente ou frio e sim moda, afinal é isso que se vende. Vejamos os exemplos

::: O estilo Western, que tem uma inspiração country americana, com bordados simbólicos nas botas de canos curtos. Esta proposta nos remete a uma vitrine composta de materiais mais simples, como madeiras de deck (raspada para tirar o ar de verão). De repente, um adesivo reproduzindo um bordado. Por ser híbrida, quando se tira as botas dela, podemos colocar qualquer outro modelo de sapato sobre este deck e retirar o adesivo. Desta forma, continuaremos tendo uma proposta. E ninguém falou em “frio”. 

::: O tema Barroco, que segue forte nesta estação, não nos obriga a fazer uma vitrine dourada, mas, sim um espaço que pede um belo tecido, que pode estar aplicado tanto ao fundo, quanto em almofadas. O lustre pode ser um coringa. Quando quisermos ele no exagero do barroco, podemos acrescer penduricalhos. Já, se quisermos substituir um produto estilo barroco por outro em uma linha mais militar, por exemplo, bastará tirarmos o tecido e os penduricalhos, mas o lustre poderá ficar, dando continuidade ao estilo da vitrine.

:: VITRINES HÍBRIDAS
Na verdade, estamos falando de vitrines híbridas, ou seja, nada pode ser tão datado ou fechado em um conceito que não possa ser alterado no decorrer da estação. Esta é uma questão muito séria, até porque, com o passar dos dias, as coleções vão se quebrando e é importante salientar que a vitrine, obviamente, tem de vender. Então, como vamos colocar grafismo, vintage, era vitoriana, oncinhas e tudo mais em uma vitrine que seja somente adaptada a uma tendência?

De certo, a temática de usar a moda vende mais que usar a temática sazonal. E o inverno passa a ser apenas uma mudança de estilo ou releitura de temas que ainda regem a moda. Lembrando que essa não é uma regra que vale para setor infantil.

De maneira geral, é muito mais simples pensarmos em moda isoladamente. Mas, o que dará o tom especial às suas vitrines serão outros fatores, tais como: os materiais, as cores, a distribuição dos elementos e a iluminação. E vale lembrar que nosso inverno não deve ser uma cópia nem norte-americana e nem europeia. Lá, o frio corta e o céu escurece, enquanto o Brasil é um país cheio de luz e nosso inverno pede alegria. Materiais ideais, em que a ambiguidade se coloca como uma questão extrema, são mais marcantes como se eles próprios contassem a história da sua vitrine, como metalizados, espelhados, texturizados e por aí vai.

:: CONTRASTE DE CORES
O contraste das cores já virou regra. Nada de tons neutros! A vitrine deve ter suportes, fundos e pisos onde o produto cresça e, para isso, o verde pede o roxo; o vermelho, o rosa; o marrom, o azul; o azul pede o dourado; o dourado pede o preto. Definitivamente, o contraste das cores esquenta o inverno em 2013. 

Agora, quem não quiser errar, deve optar pelo grafismo. Mas é importante saber fazer isso, pois o preto e branco tanto são coringas, como podem ser falta de criatividade se usados sem ousadia. Assim, sua vitrine poderá passar despercebida. Mas podemos buscar inspiração no psicodelismo dos anos 60 e 70 e voulé! 

Para aquelas lojas que trabalham com o conceito monomarca, sempre é mais fácil de transitar, afinal, têm suas coleções em total controle e, normalmente, suas vitrines têm uma estrutura física que facilita. Quando passamos para o universo das multimarcas, entramos em um terreno mais complexo, tanto estrutural, quanto pela grande variedade de mix de produtos e marcas. Neste caso, tudo tem de coexistir de maneira harmoniosa, sem falar das próprias campanhas das lojas. 

E, neste ponto, podemos entender a simplicidade das dicas que estou passando. Podemos eleger um material que permeie toda a vitrine, blocos de estilos e cor como elemento transitório entre um estilo e outro.