Quando o REAL e o VIRTUAL se tornam UM SÓ

O que, de fato, é o visual merchandising? Ainda é um tema que, de certa forma, não é entendido no Brasil em toda sua complexidade. Para uns trata-se de organizar a loja. Para outros, vitrines, e por aí afora, o que não deixa de estar certo, porém, bem incompleto.

Podemos, de maneira resumida, explicá-lo da seguinte forma: faz parte do departamento de comunicação de uma empresa e, para entendê-lo, pense em um guarda-chuva, sob o qual existem diversas ações direcionadas pelo visual merchandising, como planograma do produto, desenvolvimento de displays, iluminação, mobiliário, eventos empresariais, cenografias, vitrines e por aí adiante. Trata-se, portanto, de uma profissão multidisciplinar, exercida por um profissional conectado e integrado com o mundo. E é aí que entra o webvitrinismo.

Para se entender o webvitrinismo, temos de voltar à origem comportamental de como um cliente faz a leitura visual dos espaços e o que provoca seu escapismo no ponto de venda, onde são usados elementos trimensionais para atrai-lo, ativando uma série de fatores sensoriais. Neste cenário, temos um certo controle sobre a situação, pois o ambiente e o vendedor estão dialogando com esta pessoa.

:: NOVOS HORIZONTES
É fato inexorável que muitas mudanças ocorreram, as plataformas de compras não são mais lojas apenas físicas, aliás, a internet abriu para o mundo novos horizontes, impensáveis décadas atrás. Simplesmente mudou nossa forma de conceber o universo que nos cerca, nossa forma de agir e comprar.

Hoje existem incontáveis e-commerce, que facilitam e agilizam a vida dos nossos clientes, a cada dia mais informados e com menos tempo disponível. Como os custos operacionais desta modalidade de comércio são mais baixos, há mais investimento em mídia, conferindo-lhes uma onipresença que a loja física não tem. Pode-se comprar um produto disponível em qualquer lugar do planeta, tudo sem muito esforço, ao alcance de um clique via PC, smartphone, tablet.


Anya


Excelsior

Como concorrer com esta nova realidade? E por que uma profissional de visual merchandising está falando de lojas virtuais? Trabalhamos com o despertar de impulsos de compras através da estética, responsável por provocar o desejo no cliente. E esta questão não é apenas tridimensional, ela também é bidimensional e até holográfica. Fisiologicamente, a internet não mudou o ser humano. Nossa forma de leitura ocular ficou mais veloz e dispersiva, mas somos os mesmos. O que mudou é o fato de que é necessária a fusão entre design gráfico com apoio de um profissional de vendas, pois nossa leitura dos espaços ainda respeita algumas lógicas, como por exemplo: nossa leitura espacial é da esquerda para a direita, de cima para baixo. O que muda é a formatação do espaço pictórico. Temos de seduzir da mesma forma, porém, no espaço virtual o impulso é mais rápido.


Dolce & Gabbana

É por isso que o webvitrinismo se faz mais necessário ainda, pois saber compor a proposta de um webdesign com o comportamental humano para compras passa a ser quase uma ciência.

:: NOVOS CLIENTES
Seremos concorrentes de nós mesmos com a loja física e a virtual? O pensamento correto é “teremos novos clientes”. O grande segredo hoje é levar os mesmos sentimentos de um ponto de venda físico para o virtual. A maior empresa nacional de vendas de calçados on-line não apenas coloca ícones para clicar e comprar: trabalha sentimentos em suas homepages exatamente como uma marca física trabalha.

Grandes marcas consagradas mundialmente usam a plataforma da internet para divulgação de suas vitrines e, através destes conceitos, elas ampliam suas possibilidades de venda e afirmação de identidade de maneira exponencial. Elas, literalmente, divulgam suas vitrines na internet de maneira viral. Muitas usam seus blogs para passeio virtual por suas lojas, atitude que mostra exatamente sua identidade e seus produtos. O site www.moooi.com é um exemplo fiel de ponto de venda e e-commerce que aplica o webvitrinismo de forma megapotencializada.

Para quem não tem e-commerce e sim apenas um site, estes conceitos existem? Sim, e devem ser ainda mais explorados, pois queremos que o cliente vá até a loja.


Longchamp loves Printemps

O termo webvitrinismo existe há muito tempo. Atualmente profissionalizado, criou um corpo muito maior e ainda mais alcance com auxílio das redes sociais, meio de comunicação que deve ser explorado ao máximo. Uma forma muito eficiente de provocar o desejo de consumo em seu cliente é mudar a vitrine, fotografá-la, postá-la em seu site e nas redes sociais. Faço isso com alguns clientes e a resposta é quase sempre imediata.

No Brasil, temos muitos obstáculos a serem vencidos pelos lojistas e um deles é a questão fotográfica. Tente tirar uma foto de uma vitrine para entender pois, provavelmente, alguém vai impedi-lo. Esse tal medo da cópia não cabe mais no mundo atual. Até porque, do ponto da realidade, a grande maioria, infelizmente, já é uma cópia.

O homem, sem ter consciência, não criou nada mais no último século, somente aperfeiçoamos o que já foi feito. O sistema de criação é resumido no conceito de remix que, em última instância, podemos analisar da seguinte forma: copiar, transformar, combinar e agregar, e o que já existia vira novo.

E se a sua vitrine existe através de cópia e não de assemblagem criativa, pode ter certeza que seu impacto será reduzido em pelo menos 40%. Usar todas as ferramentas para divulgar seu visual merchandising como marca sólida nos coloca em rota direta com o maior desejo de todo lojista, o da “pregnância”, ou seja, ficar impregnado na mente dos consumidores, fixar-se, tornar-se inesquecível.

  
Liberty

:: RETRATO FIEL
É de suma importância que qualquer homepage seja o retrato da marca. Algumas imagens, cores e distribuição de informações simplesmente podem ou não atrair o usuário. É o mesmo conceito dos cinco segundos do ponto de venda, com um diferencial vital que o escapismo é 95% ativado, uma vez que o olhar é a única ferramenta possível. Alguns até colocam música em seus sites, o que acaba sendo irrelevante diante de toda magia do ver. Como disse Ruskin: “A maior coisa que a alma humana já fez neste mundo foi ver as coisas. (...)”

Criar essa conexão de dois elementos aparentemente tão díspares é a grande sacada que as marcas consagradas já entenderam como o futuro: a fusão do virtual e o real. Um dia veremos vitrines holográficas aparecerem em um clique diante dos nossos olhos.


Moschino

Vivemos na era do consumo sem culpa x consumo com culpa. Saber fazer este jogo fez surgir novos tipos de negócios como, por exemplo, lojas sustentáveis, brinquedos educativos, alimentos orgânicos etc.

A essência é que tudo é um grande amálgama. Não existe mais o lá e o cá, ou seja, loja ou Internet. O que de fato existe é o ser humano que nunca cessará sua busca pelo novo e por momentos que lhe deem prazer e bem-estar, mesmo que tudo isso dure apenas um clique.