SE VITRINE VENDE, É NA VITRINE QUE DEVO INVESTIR!

O ano de 2015 está, inegavelmente, bem diferente para o mercado em geral. Não sabemos dizer até que ponto será um mar de rosas, marola ou tempestade. Eu sou uma eterna otimista e, portanto, acredito firmemente que trabalhando e usando nossas capacidades criativas – que em tempos de bonança ficam em repouso – iremos, sim, conquistar bons resultados.

Nunca é demais revisitar o velho clichê “CRISE = CRIE”. Como a história mostra, grandes líderes nascem das guerras e das crises e isso é relativamente compreensivel. Quando voltamos esse conceito para o varejo, temos diversos pontos a serem pensados, desde compras assertivas até o visual merchandising a ser escolhido.

A vitrine torna-se, neste contexto, muito mais aliada do que se pode supor. Em tempos de clientes freando seus impulsos de entrar em lojas, é muito mais complicado, a menos que seu poder de atração através do “escapismo” seja muito bem elaborado.

Contraditoriamente, a primeira verba a ser cortada é a que mais atrai clientes e estamos falando das vitrines. A hora é agora para mostrar o potencial que esta ferramenta de vendas tem e, principalmente, seu baixo risco em relação a outras ferramentas de comunicação.

O ser humano busca o belo de maneira instintiva. Procura fugas contemplativas e recompensatórias. Muitos pensadores afirmam que fazemos isso pois “o cotidiano não nos basta” e, em tempos mais difíceis, essa verdade é quase uma unanimidade. Haja visto que o mundo dos cosméticos não para de crescer. Estar bem e ser belo são um prazer individual.

O mesmo repete-se com sapatos e bolsas. São vendas de impulso que acontecem pela necessidade incontrolável das mulheres de ter sua ‘caixa de pandora’ (a bolsa) e andar altiva, alimentando sua autoestima através dos sapatos que fazem seu caminho. Em outra linha de estudo, podemos afirmar que seria algo mais volátil como é o prazer que posso e mereço me dar e, seguindo mais adiante, podemos colocar estes produtos no conceito do status.

 
Gucci e Chanel

Quando falamos em prazer, status e recompensa, falamos em vitrine de impulso, ou seja, nada muito elaborado, mas, sim, algo que nos tire do lugar-comum e como se fosse uma transgressão em que a compra nos traz a sensação de poder. Tudo isso sob o ponto de vista do cliente. Sob o ponto de vista do empresário, temos de pensar de maneira fria, objetiva e saber ousar de maneira calculada. Portanto, se vitrine vende, é nela que devo investir! 

Esta posição puramente comercial nos coloca em uma condição bem diferente, que é a de promover impulso nos transeuntes e nos clientes que já temos. Essa atitude nos obriga a sair do confortável e pensar de maneira mais ampla e, por que não dizer, mais artística. A vitrine pode atrair um cliente por vários motivos, mas nada é mais certeiro do que o surpreender e, para isso, não podemos nos apegar a tendências decorativas, cores pré-estabelecidas pelos bureaus. Temos que ousar. Até esculturas de copos plásticos podem tirar nosso cliente do lugar-comum.

 
Fendi e Le Bon Marché

Já falamos da necessidade de planejamento e agora é necessário falarmos em laboratórios, ou seja, testar ideias, fazendo com que nossos potenciais criativos se ativem de maneira diferenciada. Não existem boas ideias sem colocarmos a mão na massa, ou seja, pesquisar nos leva a pensar, mas nunca a saber executar. Para isso, temos algumas soluções e uma delas é a contratação de profissionais. A outra é ter uma postura inquieta de querer superar nossos limites.

Mas cuidado! Ideias a esmo e sem base mercadológica podem ser um desastre, pois papel aceita tudo e a execução não, ou mesmo nossa criação pode ser mais atrativa que o próprio produto. Existem receitas que podem nos ajudar a evitar equívocos criativos. Temos de pensar até mesmo em mudar certas regras de guideline da empresa e uma das mais fundamentais diz respeito a preços.


Lanvin

:: ANOTE E EXECUTE!
1) O inconsciente coletivo dos consumidores diz que preços visualmente pequenos trazem em si valores altos. Portanto, evite essa dissonância e aumente seu display de preços. Isso já pode ajudar e muito;
2) Outra atitude errada é olhar na Internet e, literalmente, copiar. Usamos as imagens para inspiração e para laboratório do tipo “como posso fazer algo semelhante com materiais mais acessíveis”;
3) A periodicidade da vitrine vai influenciar muito nas vendas. Mude seus produtos com uma frequência maior, nem que seja trocá-lo de lugar e a ambientação com maior
frequência que o normal;
4) A regra é se destacar da concorrência e essa é uma arma poderosa. Toda vitrine renovada atrai clientes e mostra o quanto sua empresa é saudável e tem sempre novidades;
5) Uma vitrine pode vender acima de 60% dos produtos de sua loja. Sendo assim, fico me questionando o que faz com que um empresário não pense nela de maneira profissional e como um ativo permanente da empresa?