60+: A nova geração de consumo

Agência Fotosite 60+: A nova geração de consumo Lifestyle da terceira idade começa a sacudir o mercado
PUBLICADA EM 23/11/2017 - Bárbara Bengua e Mary Silva

Os 60 anos são os novos 30. Com o aumento da expectativa de vida – e o desejo latente de continuar vivendo intensamente – não faz mais sentido tratar a terceira idade como uma geração que deseja se aposentar para ficar em casa cuidando dos netos. Essa fatia cada vez mais representativa da população está superativa, com grana para gastar e enxerga o amadurecimento como vantagem. Só que eles querem consumir produtos que dialoguem com as suas necessidades. “A terceira idade hoje é dinâmica e atuante. E, muitas vezes, tem um lifestyle que se equipara ao do jovem”, avisa Meline Moumdjian, designer, consultora e professora do Istituto Europeo di Design  (IED).

Os novos hábitos de consumo oferecem oportunidades infinitas relacionadas a este público. Sentir-se bem e estar confortável estão entre os atributos valorizados – mas não são os únicos. “Um sapato pode ter estilo, design, beleza e ainda atender à especificidade do pé maduro”, observa Meline. Porém, a realidade de mercado mostra que há poucas empresas focadas neste nicho, maior a cada dia. Para a consultora, a geração dos Baby Boomers – nascidos no pósguerra – tem necessidades e expectativas não atendidas. “As pessoas estão aí e não têm produto para comprar, não têm produto para usar”, determina a especialista, explicando que este público não se sente velho, não quer ser tratado como tal e não deseja comprar produtos feios.

Bom momento para rever seu target

Adquirir bons itens e viver experiências com marcas com as quais se identificam são o foco desta parcela da sociedade, que tem alto poder aquisitivo e se mostra disposta a investir de forma consciente. Por isso, este é o momento ideal para quem está pensando em se arriscar no mundo da moda ou, ainda, em rever seu target. Segundo Meline Moumdjian, os empreendedores da área ainda são poucos e tímidos. “Não temos muitas marcas com foco no público maduro”, considera. Além disso, é importante ressaltar que não há, ainda, um único perfil de consumidor. “A terceira idade é composta por diversos estilos e as marcas que quiserem atender a este nicho vão precisar ter targets diferentes para cada segmento”, sugere.

Mais do que uma moda instantânea, como a ofertada pelo fast-fashion, a consultora explica que esta geração está em busca de produtos que sejam mais perenes e duradouros. “Dentro desta nova cultura de negócio, as empresas podem focar no desenvolvimento mais bem elaborado, que envolva novas tecnologias de conforto, com materiais nobres e específicos. Assim, podemos trazer mais inovações ao sapato.”

Especificidades deste público

Os pés dos Baby Boomers precisam de cuidados diferenciados. Isto deve estar claro para as calçadistas que pensam em atender a este nicho. “As brands têm de informar o que acontece com o pé ao longo dos anos”, observa a professora do IED. Mas isso, de maneira nenhuma, significa que é preciso tratar este público como “pés com problemas”. A única ressalva, segundo Meline, deve ser com as questões anatômicas – como, por exemplo, uma forma mais larga, sistemas de amortecimentos inovadores e novas tecnologias. “Ou seja: algo que realmente envolva esse consumidor. Ele vai ter 30 anos comprando dessa nova marca, que começou a descobrir a partir de seus 60 anos.”

Em crescimento

De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir de 2035, a população brasileira vai diminuir e chegará a 2050 com 60% dos brasileiros em idade economicamente ativa acima de 45 anos.

Potencial de consumo

Pesquisa do Bank of America indica que, em 2020, quem tiver 60 anos ou mais estará movimentando 15 trilhões de dólares no mundo.

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