Nichos especiais se destacam no varejo

Divulgação Nichos especiais se destacam no varejo Numerações diferenciadas são aposta de empreendedores
PUBLICADA EM 12/01/2018 - Mary Silva

Seguindo a filosofia de que quem fica na média não se destaca, novos formatos de negócio se lançam ao mercado calçadista nacional, com foco nos nichos de tamanhos diferenciados. A aposta não apenas abre um universo de oportunidades para os empreendedores, como também oferece solução para o drama de milhares de consumidores, como a empresária Tania Gomes (foto).

Fundadora da startup 33e34 (São Paulo/SP), multimarcas especializada em femininos pequenos, ela conhece os dois lados desta moeda. Com expertise em gestão de e-commerces e cansada de não encontrar sapatos de design interessante no seu número de calce, decidiu abrir uma loja on-line que atendesse sua necessidade (e a de muitas outras mulheres pelo Brasil).

Há pouco mais de dois anos na cena varejista, a empresa já expandiu seus negócios para um ponto de venda físico, com um portfólio de mais de 300 modelos, muitos deles com etiqueta própria. “Nos posicionamos como marca e temos a possibilidade de caminhar com a cliente durante toda a sua vida. Garantimos desde o tênis para a menina que vai à universidade, até o escarpim que ela passa a usar quando se torna executiva”, comemora Tania.

Relação de empatia

Em resumo, a relação de empatia com o público-alvo é o grande trunfo por trás da estratégia da 33e34. “Vendemos experiência e estabelecemos um novo comportamento de consumo. A carga de autoestima desta cliente se potencializa, pois entendemos a dor de não ter o que procuramos nas lojas ou ser direcionadas à sessão infantil. Quando apresentamos centenas de opções, mudamos a relação da mulher com o sapato”, explica a executiva. No caminho inverso das marcas tradicionais, a startup surgiu antes na web, para depois se consolidar no off-line. A lógica, entretanto, é a mesma: enquanto o e-commerce traz comodidade e praticidade, o espaço físico proporciona vivências exclusivas.

Faturamento milionário

O modelo de negócio da 33e34, que tem tíquete médio de 350 reais, não delimita seu público por faixas de poder aquisitivo. De acordo com Tania Gomes, o contexto deste nicho tem a ver com empoderamento. “Somos democráticos e os esforços vão mais no sentido de entender em quais canais a consumidora está disposta a viver a experiência com a marca”, destaca.

Para 2018, a ideia é abrir uma nova loja própria ou migrar a atual, na Vila Almeida, para Moema – ambos endereços na capital paulista. “Queremos estar onde as mulheres encontram sapatos em São Paulo e também no resto do Brasil. Estamos pensando se vamos abrir mais unidades neste formato ou partir para as franquias, mas esta é uma discussão que precisamos amadurecer nos próximos meses”, revela.

Para o fechamento de 2017, a estimativa de faturamento é de R$ 2,4 milhões, incluindo todas as plataformas de vendas da marca. Hoje, a 33e34 está presente também em multimarcas e marketplaces. Na configuração própria, o estoque é único, em uma rede integrada, facilitando os processos de compras e entregas de produtos.

Jimmy Choo no mix

As expectativas são de crescimento constante, segundo Tania, especialmente desde o último bimestre do ano, quando a grife Jimmy Choo passou a fazer parte do mix. “Queríamos trazer uma marca de luxo, consagrada, e é uma grande satisfação termos uma das mais relevantes do mundo. É a preferida de estrelas como Beyoncé e foi a favorita da Lady Di, o que traz ainda uma carga de misticismo”, aponta a gestora.

Abrangência

Com base em informações de mercado e análises de vendas, a 33e34 estima que a quantidade de mulheres que calçam numerações menores chegue a 5 milhões no Brasil. De acordo com Tania Gomes, o dado real é de que 3% da população feminina esteja nesta faixa de consumo. 

“Isso significa que, se cada uma delas compra, em média, cinco pares de sapatos por ano, há potencial para ultrapassar os 25 milhões de pares, somente no cenário nacional”, reflete ela. Os estudos, porém, não mensuram os perfis que acabam comprando modelos infantis, por falta de opção no varejo – o que elevaria ainda mais este resultado.

Para homens que buscam tamanhos maiores

Na vertente oposta à da 33e34, o e-commerce multimarcas Sapato Grande, lançado em 2017, atende à demanda de masculinos com numeração a partir de 44. No mix, ampla variedade de etiquetas e estilos para quem calça até 48. Com apoio de pesquisas de mercado, a empresa traça os perfis de consumo específicos de seus clientes, para acertar nas apostas.

Conforme levantamento recente da companhia, cerca de 25% das compras no site são realizadas por mulheres – o que sinaliza um movimento diferente do óbvio e a necessidade de um atendimento versátil. A maioria dos cadastros, no entanto, é de homens na faixa etária entre 30 e 40 anos (32% das vendas). A empresa, que também conta com loja física, no Centro de São Paulo/SP, tem o mix incrementado por acessórios, como meias e até preservativos, em tamanhos acima da média.

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